Seja bem vinda de volta, Murphy Brown!

Eu fui um daqueles que testemunhou boa parte das 10 temporadas de Murphy Brown. A série era exibida no Brasil pela Record, e levantava questões tão pertinentes na sua época, que chegou a influenciar em uma eleição presidencial, por conta de opiniões fortes apresentadas por uma corajosa jornalista.

Eu entendo que sem Mary Tyler Moore não existiria Murphy Brown. E as duas foram necessárias. Mas estamos em 2018. Os dias são difíceis. Ainda mais com Trump como presidente. Precisamos de uma Murphy Brown hoje?

Sim.

E o quanto Murphy Brown precisa se atualizar para poder fazer os discursos que as pessoas precisam ouvir hoje?

Bastante.

O revival de Murphy Brown começa do ponto onde Donald Trump é eleito presidente dos Estados Unidos. Tudo é muito bizarro, e nossa protagonista sente a necessidade de voltar a falar o que pensa e sente para a nação norte-americana. Para isso, ela reúne o seu time de profissionais do passado, e em um formato repaginado, volta ao ar na TV a cabo, que é onde as pessoas querem realmente se informar.

Os contrastes de Murphy Brown com um mundo completamente novo não se fazem presentes apenas com as suas divergências com Donald Trump. Elas aparecem quando ela sente a necessidade de se adaptar a novas tecnologias, quando ela não tem mais a mesma influência em Washington e quando ela se vê precisando derrotar o próprio filho na batalha de audiência.

 

 

Depois de três episódios, Murphy Brown mostra claramente a que veio. É uma sitcom clássica, bem no estilo que era na década de 1990. Pode não agradar ao público mais novo, pois se vale de um texto que é bem fechado nas questões políticas e contrastes de comportamento em função desse tema, mas mais do que necessário nos dias atuais.

A série levanta abertamente questões como as mentiras da administração Trump, o assédio sexual e movimentos como o #MeToo e a necessidade de fazer com que o norte-americano médio se paute pela verdade, e não pelas fake news. Basicamente o que vivemos aqui no Brasil nesse momento, mas com outros protagonistas.

Logo, se você não está minimamente por dentro desses temas, vai achar a série um saco. Para o norte-americano com uma visão mais crítica e racional, vai se divertir e muito com a série.

Fico feliz em ver Candice Bergen em ação, mesmo com todas as dificuldades físicas que ela apresenta no momento. E que bom que ela voltou a interpretar um dos seus mais importantes personagens de sua carreira.

De novo: você pode não gostar de Murphy Brown por ser uma sitcom old school, mas ela é necessária em 2018. Vivemos tempos tão conturbados, que precisamos de séries que levantam a discussão sobre esses temas, de forma clara e direta.

Para que o norte-americano médio entenda.