A melhor coisa que pode acontecer com você ao sair de uma sala de cinema depois de assistir a um filme é ter a boa sensação que se deu bem ao não criar qualquer tipo de expectativa sobre a história que vai assistir, e constatar que o filme é muito melhor do que o esperado. E foi exatamente isso o que aconteceu com Minha Vida em Marte.

Quem me acompanha aqui no SpinOff.com.br sabe o ranço que eu tenho do Paulo Gustavo. Ele me deixou traumatizado com Minha Mãe é Uma Peça – O Filme, onde ele passa duas horas gritando com todo mundo. Eu confesso que até me divirto com ele, mas acho sempre ele meio “over” demais. Prefiro ele um pouco menos. Pouca coisa só.

Graças ao bom gosto, Minha Vida em Marte não é protagonizado por Paulo Gustavo. Na verdade, o longa é uma continuação de um outro sucesso nas bilheterias nacionais: Os Homens São de Marte… E É Pra Lá Que Eu Vou (2014), que acabou virando série no GNT.

Apenas para contextualizar: no primeiro filme, Fernanda (Mônica Martelli), mãe solteira de 39 anos, procura o homem da sua vida nos mais diferentes formatos e estilos, e com a ajuda do seu inseparável amigo Aníbal (Paulo Gustavo) encontra em Tom (Marcos Palmeira) aquela pessoa para dividir os próximos anos de sua vida.

Minha Vida em Marte mostra Fernanda e Tom oito anos depois, devidamente casados, mas com o casamento em crise. Ela mais uma vez decide recorrer ao amigo Aníbal, que faz de tudo para mostrar à ela a realidade dos fatos, tentando ajudar a amiga na decisão mais difícil de sua vida: terminar com Tom e recomeçar.

 

 

O filme é surpreendentemente bom. Uma produção caprichada, com cenas em diferentes cenários, incluindo filmagens em Nova York. Toda a ambientação faz com que você acabe imergindo na história de forma natural, se tornando testemunha da saga de Fernanda ao longo de todo o longa.

A história é meio previsível em alguns momentos, mas rende boas risadas com um texto ágil e direto, e situações que efetivamente podem acontecer com qualquer pessoa na idade de Fernanda (na casa dos 40 anos ou mais), e uma crise com oito anos de casamento é a coisa mais comum do mundo.

Ou seja, Minha Vida em Marte apresenta uma história que ou você está passando nesse momento em sua vida, ou com certeza você conhece alguém que está nessa mesma situação. Esse cenário onde a arte imita a vida faz com que você se apegue ainda mias com a história.

Você ri o tempo todo com as mais inusitadas situações envolvendo a dupla Fernanda e Aníbal, mas ao mesmo tempo pensa em todas as idas e voltas que essa história dá. É claro que muita gente pode achar algumas situações inusitadas demais, e nem todo mundo tem verba para curar suas crises existenciais em Nova York. Mesmo assim, o filme deixa um recado claro para quem está assistindo.

Felicidade é algo que nós construímos. Não podemos depender do outro para encontrar a felicidade que é de nossa responsabilidade. E ser feliz é um estado de espírito que nós construímos com o auto conhecimento e auto apreciação de perspectiva de vida. E, em muitas vezes, somos obrigados a romper com o nosso passado e nossas convicções que não nos levam a lugar nenhum para abraçar algo novo em nossas vidas.

Pode parecer complicado quando você lê isso em um texto, e é por isso que um filme como Minha Vida em Marte existe: para explicar e ilustrar esses conceitos para o grande público.

 

 

Minha Vida em Marte já alcançou a marca de 3 milhões de espectadores no Brasil, e com méritos de sobra. É um filme excelente por vários aspectos. É divertido, envolvente e sensível. Vale a pena ir até os cinemas para aprender boas lições em sobre como viver e buscar a verdadeira felicidade. Não é um filme que vai entregar a receita para a felicidade, pois felicidade não é receita de bolo. Mas pode ajudar. Pode fazer com que muitas pessoas que ainda estão na inércia de suas vidas se sintam inspiradas a dar o primeiro passo.

Pode ir assistir sem medo. De novo, é um filme tão bom, que surpreende. Positivamente.