Não. Não é romântico.

O que uma pessoa que não gosta de carnaval faz no domingo de carnaval? Vai ver filme na Netflix, é claro! Mas isso não quer dizer que você vai acertar na escolha dentro do catálogo do serviço de streaming. Pelo contrário: por histórico, as suas chances de pegar uma bomba são enromes. Pois bem, Megarromântico não é exatamente uma bomba, mas é de existência altamente questionável.

O filme estrelado por Rebel Wilson ficou apenas duas semanas nos cinemas norte-americanos e já desembarcou na Netflix. Não sei até que ponto isso é uma estratégia comercial ou a prova que o filme não era bom o suficiente para ficar nas salas de cinema por muito tempo. De qualquer forma, lá fui eu encarar a comédia romântica.

O filme faz uma crítica direta às demais comédias românticas, abordando todos os clichês e soluções que, convenhamos, são realmente estapafúrdias. Até a chuva metafórica que cai do nada durante um beijo apaixonado, que na verdade demonstra o interesse da protagonista em relação ao seu pretendente aparece.

Acontece que toda essa crítica vem de uma mulher que, desde criança, foi convencida que os finais felizes do cinema não existem no mundo real, especialmente para uma garota como ela, totalmente fora dos padrões. O fato dela ser ignorada por todos faz com que ela também acabe ignorando o que existe de bom ao seu redor, inclusive aqueles que gostam dela de verdade, e enxergam ela como alguém digna de empatia.

 

 

Megarromântico é um filme que não tem nada de especial, e você precisa aceitar de forma muito aberta as referências cinematográficas para rir de alguma coisa que é apresentado durante os 88 minutos de sua história. Seu roteiro é até bem intencionado, e a ideia geral de mostrar a aventura de uma moça que bate a cabeça e passa a viver uma realidade alternativa (e romântica) não é inovadora, mas também não é condenável.

Porém, é uma narrativa insípida. Em linhas gerais, leva ao nada a lugar nenhum, e quando chega na sua conclusão, literalmente corre para cair no óbvio, onde a moral da história é a aceitação de sua própria condição humana. Se amar é mais importante do que qualquer coisa, mas para entender isso nem precisava ter filme.

Um lado positivo de Megarromântico é o seu elenco. Rebel Wilson é sempre muito carismática e competente no que faz, mas Adam Devine, Liam Hemsworth e Priyanka Chopra conseguem estabelecer um bom ritmo e interação entre eles, o que ajuda a estabelecer uma certa empatia no filme. Como os personagens contam com personalidades bem definidas, tudo fica um pouco mais fácil. Inclusive para delimitar o caminho para onde o filme quer chegar.

Não dá para dizer que Megarromântico é o filme que vai mudar a sua vida. Não é. Aliás, ele será esquecido rapidamente, porque podemos aprender a mesma lição que o filme quer passar em vários outros filmes que abordam temas como auto aceitação e amar as pessoas como elas realmente são, mas com narrativas muito mais interessante.

 

 

Algumas cenas muito pontuais são engraçadas, muito mais pelo talento de Rebel Wilson do que por qualquer outra coisa. E, por ela, vale o filme. Mas… sinceramente? Nem por ela eu recomendaria. É preciso ficar com uns dez passos atrás antes de dar o play nesse filme na Netflix. Ou estar com o bom humor lá no teto para assistir a um longa que não apresenta nada de especial.

Megarromântico é, mais uma vez, a Netflix pegando um filme abaixo do que poderia ser para ampliar o seu portfólio de conteúdos originais. Não sei até quando isso é válido. Nesse aspecto, eu prefiro a seletiva qualidade da HBO.