Você pode não saber quem é esse cara, mas saiba que ele era muito importante para o mundo da televisão. E digo “era”, pois foi. E é mais um que é expulso do mundo do entretenimento por conta do seu comportamento abusivo com as mulheres. Seu nome? Les Moonves.

Les Moonves era ninguém menos que CEO e Chairman (aka presidente, ou quem manda na p*rr* toda) da CBS Entertainment, um dos quatro grandes canais abertos da TV norte-americana. Não só isso: pelas mãos dele também passavam importantes decisões envolvendo os canais The CW (uma joint venture da CBS com a Warner) e Showtime.

Moonves foi o responsável por consolidar a CBS como o canal de maior audiência total da TV norte-americana nos últimos 15 anos (ele foi promovido ao posto de CEO do canal em 2003). Pelas mãos dele, NCIS se tornou a série com maior média de audiência total por anos. Fez com que as sitcoms perdurassem na TV até hoje, contrariando um claro processo de extinção do formato, algo que se consolidou com o passar dos anos. Ajudou a fazer do formato reality competition uma alternativa sustentável, e em programas que não envolviam a votação popular como critério para estabelecer o vencedor (como em Survivor e The Amazing Race).

A maior prova da força de Les Moonves na CBS foram séries como Mike & Molly, 2 Broke Girls, Two And a Half Men e, principalmente, The Big Bang Theory permanecerem no canal por tanto tempo. São vários megahits televisivos que o executivo bancou no canal.

E isso, porque não vou falar sobre as séries do Showtime (Homeland, principalmente) e da CW (todo o Arrowverso, Gossip Girl, The Vampire Diaries, Supernatural, etc).

Pois bem… Les Moonves ERA alguém muito grande na TV norte-americana. Não é mais.

Foram duas levas de acusações de assédio sexual, com várias mulheres (incluindo atrizes que trabalharam em produções da CBS) relatando as práticas de Les Moonves, que não fugiam muito daquelas envolvendo outros que são considerados “réus confessos” de atitudes ofensivas (Kevin Spacey, Harvey Weinstein, Bill Cosby, Louis C.K., etc): assédio moral e sexual, exposição indecente, indução ao sexo oral, coação física, pressão psicológica, entre outras atitudes simplesmente condenáveis.

A saída de Moonves do seu posto de CEO da CBS é imediata, e como parte do acordo de demissão, o executivo vai doar US$ 20 milhões para o movimento #MeToo.

E o que aprendemos de tudo isso?

Que, mais uma vez, estamos testemunhando um movimento de mudança.

Ainda entendo que é preciso analisar caso a caso sobre as acusações de assédio sexual que não param de brotar em Hollywood. Alguns casos pontuais (como por exemplo o de Aziz Ansari) não são configurados como assédio ou abuso sexual (mesmo porque sexo consensual não tem nada de abuso), mas sempre temos pessoas oportunistas, que tentam tirar vantagem do momento de alguma forma.

Porém, quando o indivíduo é um réu confesso, admitindo os seus crimes até mesmo para reduzir o tamanho do estrago que suas atitudes podem resultar entre aqueles que o cercam, a denúncia deve ser feita, e a punição deve ser exemplar.

Observem que as denúncias mais pesadas envolvendo grandes nomes de Hollywood foram feitas em grandes veículos de comunicação, com várias supostas vítimas relatando as suas experiências, e a grande maioria delas dando nome e sobrenome, para não deixar margem de dúvidas.

Logo, existe um filtro para análise de tudo isso. Existe uma forma de separar o joio do trigo. Existem elementos sustentáveis para determinar o que é uma denúncia real, e o que é uma tentativa para tirar vantagem de alguém.

No caso de Les Moonves, não tem desculpa. É inaceitável um executivo ter esse tipo de comportamento. A decisão da CBS é a mais acertada e até a esperada diante das denúncias feitas. E ele pode até alegar que “existem inverdades em alguns relatos”, mas fato é que sua situação ficou simplesmente insustentável.

A ponto do jornalístico da CBS apresentar a posição oficial do canal sobre o caso. É uma clara resposta da rede para a sua audiência, que é a ponta final do processo, e a parte mais importante dessa engrenagem.

E ver mais um grande nome de Hollywood caindo por conta de sua conduta pessoal é mais uma evidência clara que, felizmente, estamos vivendo novos tempos. As coisas estão mudando, e a indústria do entretenimento está dando esse recado de forma bem clara.

Quem será o próximo?