LEGO Batman: O Filme

 

“Se você quer fazer um mundo melhor, olhe para si mesmo e mude.” Michael Jackson Batman (porque ele quis assim).

LEGO Batman: O Filme é a “zoeira never ends” em forma de animação. Ri de si mesmo o tempo todo, inclusive da própria solidão do Batman, mas deixando suas preciosas lições para crianças e adultos. Sabe rir dos clichês cinematográficos, além de zoar os fracassos recentes da própria DC no cinema. Sem falar que tem uma história bem construída, dentro daquilo que se propõe a contar.

Mano… tem zoeira até com Harry Potter… como não gostar de um filme desses?

 

 

Batman é o cara. Salva Gotham City quantas vezes forem necessárias, com gadgets incríveis e lutas espetaculares. Porém, é uma alma solitária, amargurada e narcisista. Se isolou de tudo e de todos, já que até hoje vive o trauma de perder os pais muito cedo, por conta da violência da cidade.

Fato é que, fora toda a parte da tragédia pessoal, Batman (que aqui quer ser o Homem Morcego a maior parte do tempo, e não Bruce Wayne) é um chato que só o Alfred aguenta. Superman é muito mais popular, mais poderoso e mais acessível que o cara que vive em uma caverna. Mas ele escolheu assim. Ele é tão “auto sustentável”, que nem de inimigos precisa para sua notoriedade, algo que magoa profundamente o Coringa, que sempre se considerou o seu grande inimigo.

As coisas começam a mudar quando Jim Gordon deixa o Departamento de Polícia de Gotham City, dando lugar para sua filha, Barbara, que passa a ser um dos interesses imediatos do morcegão. Além disso, um pequeno garoto órfão se interessa por Bruce Wayne um pouco mais do que o normal, a ponto de ser adotado pelo milionário, se transformando em Robin.

 

 

LEGO Batman: O Filme é divertido, engraçado e escrachado. As piadas fluem com facilidade, em um texto que funciona muito bem com as interpretações de Will Arnett e Zach Galifianakis como Batman e Coringa. A direção de dublagem trabalhou muito bem nesse aspecto, apesar da versão brasileira dessa vez dar algumas escorregadas feias na adaptação de algumas expressões que são de conhecimento daqueles mais antenados com as referências de cultura pop norte-americana.

Mesmo assim, é uma experiência muito divertida em vários aspectos. O filme não cansa, e é acessível para crianças e adultos. A recriação do universo LEGO em animação é muito bem pensada, com detalhes mínimos sendo ilustrados com cuidado.

E, como destaquei antes, o filme deixa as suas lições para se pensar.

 

 

Mais uma vez vemos o passado refletindo nas atitudes do presente, e que não existe pessoa 100% boa ou ruim nesse mundo. Na prática, o filme levanta inclusive a moralidade de Batman, por tocar o terror em Gothan City apenas achando que pode fazer justiça com as próprias mãos, mas de forma efetiva não prender nenhum dos seus inimigos. Algo bem óbvio, se a gente olhar para mais de 70 anos de história do personagem.

Além disso, o longa também dá destaque para o “você não chega a lugar nenhum sozinho”, sem falar na frase que começa esse texto: “Se você quer fazer um mundo melhor, olhe para si mesmo e mude”.

Batman tem que mudar a si mesmo e aceitar que precisa de ajuda, que trabalhar em equipe é muito melhor, e que sua essência positiva precisava prevalecer para que ele se diferenciasse de um dos vilões que ele combatia.

Todas essas questões são levantadas em um filme infantil, e Batman vs Superman não foi capaz de chegar perto de explorar esses temas com competência. Apenas colocou o Batman de Ben Affleck como “o cara que tinha o direito de matar Superman porque um amigo dele morreu enquanto o Homem de Aço tentava salvar o mundo”, e nada mais. Ou seja, conceito de moralidade pra quê, não é mesmo?

 

Podemos dizer que LEGO Batman: O Filme é (FINALMENTE) um acerto da DC nos cinemas. É um filme prático, descomplicado, que entrega o que promete, e conta uma história bem elaborada, dentro de sua proposta geral. É diversão garantida para todas as idades. É filme para assistir e sair sorrindo do cinema, feliz da vida por ver uma história que agrada por inteiro.

Muito melhor que Batman vs Superman, e com certa sobra.

Pronto, falei!

 

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