Vivemos a era de ouro dos heróis no cinema e na TV. Marvel e DC conseguiram criar blockbusters na grande tela, e as duas entregaram séries bem sucedidas na televisão, com a DC obtendo mais êxito.

Krypton (Syfy) tinha tudo para entrar nessa lista, mesmo precisando superar adversidades como baixo orçamento. Mas seu piloto conseguiu a façanha de apresentar um mundo fascinante de forma monótona.

Para a maioria, Krypton nada mais é que o planeta do Superman que explodiu. Porém, a ideia da série era mostrar as origens da família do Homem de Aço de forma tão interessante, que o planeta explodido seria um detalhe com menor importância.

 

 

Um acerto do piloto foi mostrar um breve (porém efetivo) prólogo, que assenta as bases do que está por vir. Mas isso durou pouco: Krypton rapidamente mostra suas debilidades, com um protagonista que fica o tempo todo cruzando a fronteira entre a estupidez e a imprudência.

Sem falar que Cameron Cuffe não tem carisma alguma para tornar o seu personagem algo grande. A CW não cometeria esse erro: por exemplo, Grant Gustin caiu como uma luva para The Flash. Já Cuffe não entrega o senso de urgência que seu personagem pede, nem mesmo na vida sentimental do mesmo.

Um ser totalmente apagado, por assim dizer.

Outra decepção é a apresentação do próprio planeta, que virou um cenário a mais quando deveria ser a base da série. Obviamente, não temos o Superman (apesar dele ser o eixo dramático da trama no futuro), mas o seu mundo deveria ser o ponto de atração para a audiência. Mas na prática, é apenas um aditivo insustentável.

 

 

Em troca, alguns elementos da mitologia do Homem de Aço criam certa curiosidade, com um final de episódio que deixa o gancho onde muitos vão querer ver o próximo para saber onde essa história vai dar (mesmo que seja em um caminho similar aos quadrinhos).

Mas o grande problema é que tudo leva a crer que eles vão alongar a história o máximo possível se a série for bem na audiência. Krypton não demonstrou contar com ingredientes necessários para que uma possível boa dinâmica entre os personagens compense uma narrativa morosa.

E, com um protagonista insosso, o restante consegue ser abaixo de zero no quesito interesse. Inclusive aqueles cujos sobrenomes já deixam claro os futuros conflitos.

Com tudo isso, meu sentimento de “eu não me importo com nada disso” gritou o tempo todo. Bem alto.

A série também não fez um bom trabalho ao mostrar a necessidade imperativa do protagonista em limpar o nome da sua família, e a sobrecarga dramática desse ponto só causou indiferença. É claro que muita gente vai se envolver com tal tática, mas com personagens medíocres, uma história monótona e visualmente pouco impactante, fica difícil ir além do piloto nesse caso.

 

 

Por fim, Krypton não está a altura de sua mitologia. Poucos detalhes soltos geram curiosidade, mas as bases da série são tão pouco estimulantes, que ela se torna sem gosto algum.

Temos séries demais no ar, e muito pouco tempo para ver todas as que realmente interessam. Recuperações milagrosas como aconteceu com Agents of SHIELD são raras na TV.

E, mesmo assim, SHIELD só está no ar porque a Marvel banca tudo.