Eu confesso que eu não conhecia essa história. Mas confesso também que me apaixonei por ela.

Kingsman: O Círculo Dourado é a continuação direta de Kingsman: Serviço Secreto, de 2014. Eu cometi o erro de não assistir o primeiro filme para melhor aproveitar a experiência do segundo filme. Mas se alguém como eu, que não vi o primeiro filme, entendeu tudo o que aconteceu (e se divertiu com tudo o que viu), acho que qualquer pessoa com boa vontade consegue absorver o melhor que o filme tem a oferecer.

E… meus amigos… que melhor!

É claro que minha perspectiva é de quem gostou do filme logo na primeira cena. Aliás, Kingsman: O Círculo Dourado é tiro, porrada e bomba desde o começo, sem enrolações. É um filme com enredo ágil e descomplicado, com os plot twists óbvios e alguns mais surpreendentes. Mas o mais importante é que este é um filme que consegue rir de si mesmo quando precisa, com piadas bem sacadas, que casam muito bem com a ação proposta pelo filme.

Harry e Garry se reencontram em uma situação atípica. Aliás, a nova condição de Harry é razoavelmente bem explicada, e Colin Firth mostra de novo que é um baita ator, com muito carisma e personalidade. Aliás, este é um filme que tem um elenco forte, equilibrado e bem alinhado com a proposta geral da trama.

Julianne Moore talvez precisava ser uma vilã mais efetiva ou com maior evidência e potencial de periculosidade. Afinal de contas, ela mandava prender e mandava soltar, mas de forma efetiva, não sujou as mãos. Por outro lado, esse comportamento se alinha com o perfil “anos 50” que Poppy assumiu para ela mesma.

Mas nem isso atrapalha o filme. Tudo funciona como deve ser, com um ritmo que alterna o frenético e o casual. A proposta de choque de culturas entre o jeito britânico de resolver as coisas com elegância e o estilo caipira do norte-americano do interior do Kentucky funciona muito bem.

Sem falar que roteiro e direção conseguem aproveitar muito bem o melhor que o elenco principal é capaz de oferecer. Não falo tento pelo Colin Firth que, como disse antes, é genial. Falo também por Channing Tatum, que tem ar e jeito de caipira (sem falar que ele dança como um caipira), e Pedro Pascal, que mata a pau com a clara referência ao Burt Reynolds no seu papel (apesar do seu laço no estilo Mulher-Maravilha, o que é meio tenso).

É claro que Kingsman: O Círculo Dourado tem os seus absurdos. Situações absurdas, cenas de luta absurdas… mas todo o excesso oferecido cabem em uma proposta de roteiro que só quer fazer você se divertir, e nada mais. E, nesse aspecto, o filme é ótimo.

Kingsman: O Círculo Dourado é diversão garantida. Como disse no começo do texto, qualquer pessoa consegue compreender de forma clara qual é a proposta principal do filme, as aspirações e objetivos dos envolvidos, assim como suas resoluções. Mesmo contando com um final relativamente óbvio, acho que a caminhada que Harry e Garry nos mostra até o final é uma das mais inusitadas, insólitas e divertidas de 2017.

É filme para você assistir mais de uma vez. E sem se cansar com as 2h21 de trama. Passam tão depressa que, quando você perceber, está de novo na fila comprando o ingresso para mais uma projeção desse longa.