Eu finalmente assisti ao piloto de Kidding. E… que bom que temos Jim Carrey na televisão!

A arte imita a vida, e parte da vida atual de Jim Carrey está em Kidding, nova dramédia do Showtime. Apesar de ter bem mais drama do que comédia, a narrativa flerta com as ironias desconcertantes da vida, abordando de frente temas sérios que podem afetar a vida de qualquer pessoa.

Jeff Piccirillo (Carrey) é um bem sucedido apresentador de programa infantil, que tenta processar a morte de um de seus filhos em um acidente de carro. O evento destruiu a sua família, e cada um tenta lidar com a perda do seu jeito. E o jeito de Jeff foi ficar “preso” no personagem que ele interpreta no seu programa, o Mr. Pickles.

Porém, ele quer seguir em frente, e lidar com a sua dor de frente. E uma das formas que ele encontra é falar sobre o tema morte para a audiência do seu programa (aka crianças). Algo que o canal é contra.

Então, quando Jeff percebe que é apenas uma caricatura de personagem, e que todos ao seu redor tentam seguir em frente com suas vidas, ele chega ao terceiro estágio do luto: a raiva. E a série deve mostrar como será a virada de sua vida até chegar na aceitação. E como isso vai afetar todos ao seu redor.

Da até para entender como Jim Carrey se sente diante de tudo isso. Ele passou por momentos difíceis na sua vida pessoal, e isso afetou a sua brilhante trajetória profissional Kidding não é apenas uma forma dele voltar para o mundo do entretenimento: é uma espécie de terapia televisionada, com a audiência como testemunha.

Sabendo de tudo isso, Kidding se torna uma experiência visceral e muito atraente. A narrativa se vale das ironias desconcertantes da vida para mostrar como a nossa existência é dinâmica, e que pequenas decepções podem acontecer, com reações imprevisíveis.

Tudo bem, final do piloto é meio óbvio, mas não tem como escapar dele. Fica a dúvida em saber se Jeff realmente vai processar a sua raiva interior e se recuperar da perda do filho, ou se ele vai se tornar um sociopata stalker, que pode fazer qualquer coisa para se sentir melhor.

A série deixa essa dúvida em forma de um gosto amargo, em uma narrativa que, apesar de triste e sombria, não cansa. Os diálogos são bem escritos, o elenco é bom, e temos um Jim Carrey que é simplesmente excelente.

Torço desde já para que Kidding permaneça no ar pelo máximo de tempo possível. Se realmente abordar a sério os temas lançado no piloto (morte, aceitação, a necessidade de passar pelos estágios de luto, todo o processo de retomada de eixo da existência, etc), ela tem tudo para ser uma ótima série.

Vou ver os próximos. Espero não me decepcionar.