Hollywood está preocupada com a diversidade, buscando oferecer uma imagem moderna e progressista, apesar de alguns estúdios mostrarem claramente que estão agarrados ao passado. Talvez não pelo fato que (todos) os seus executivos são retrógrados, mas porque eles pensam que, dessa forma, eles vão vender mais ingressos.

No final das contas, tudo se resume ao dinheiro, e nada mais. Mas podemos dar passos adiante. Sempre podemos.

Descobriram que Jurrasic World: Reino Ameaçado tinha um personagem gay, mas na última hora, decidiram recolocá-lo no armário. Se trata de Zia Rodriguez (Daniella Pineda). O filme não apresenta nenhuma referência sobre isso, mas a atriz contou que eliminaram do filme parte de uma cena que revelava esse aspecto do seu personagem.

Mesmo que ela quisesse manter esse aspecto em seu personagem, essa era a primeira grande oportunidade de Pineda em Hollywood, e ela não queria bater de frente com as escolhas do estúdio e produtores, que alegaram “redução de tempo do filme” para tal decisão.

Não é necessário saber que Zia é lésbica. É um filme sobre dinossauros. Mas também o que iria fazer diferença em um filme que teve mais de duas horas de duração de qualquer forma? Quantos segundos a cena duraria?

Pois é.

Tudo indica que a decisão se relacionou com a venda do filme nos mercados internacionais, ou em países onde uma lésbica ou uma transsexual não é bem vista. Afinal de contas, Jurassic World: Reino Ameaçado arrecadou US$ 111 milhões no primeiro final de semana na China (somando um total de US$ 370 milhões quando ainda não havia estreado nos EUA). Muito risco por causa de uma piada, não é mesmo?

Não é a primeira vez que isso acontece, e não será a última. Em Thor: Ragnarok, estava previsto que Valquíria (Tessa Thompson) teria uma amante, mas descartaram isso porque era “uma distração”. Em um filme lotado de piadas improvisadas, deixaram de fora um detalhe “para não distrair o público”…

Anham… sei…

O mais chamativo é que, nos quadrinhos, a sexualidade de Valquíria não causou problemas. Só nos cinemas.

O mesmo aconteceu com Pantera Negra, onde uma troca de olhares iria sugerir um relacionamento entre Okoye (Danai Gurira) e Ayo (Florense Kasumba), duas das Dora Milaje que protegiam o rei de Wakanda, e a cena foi retirada da montagem final.

Mesmo porque “as crianças não vão pensar que essa troca de olhares são normais”…

O mesmo aconteceu ao longo da saga Harry Potter e também com Animais Fantásticos. J.K. Rowling esclareceu que Dumbledore é gay, e manteve uma relação em sua juventude com Grindewald (Johnny Depp), novo vilão da saga, mas não vemos nada explícito no filme. Mas… algum fã realmente vai se escandalizar com isso a essa altura do campeonato?

Outro detalhe importante sobre a indústria norte-americana: um relaótio do GLAAD (aliança de gays e lésbicas contra a difamação) publicado em maio revelou que apenas 12,8% dos filmes dos grandes estúdios incluíram um personagem LGBTI. É a porcentagem mais baixa desde o início da compilação dos dados em 2012.

Então, fica a pergunta: a homofobia na indústria do entretenimento está aumentando?