Quando decidiram fazer o reboot de O Parque dos Dinossauros (Jurassic Park), eu sinceramente não me interessei, pois apesar de me interessar pela primeira franquia e assistir aos filmes originais (ainda farei a resenha de cada um deles em um momento posterior), a nova franquia não me chamou a atenção. Porém, eu confesso que fui leniente com Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros, e vou corrigir esse erro nesse post.

Mesmo porque esse é o tipo de filme que entrega mais informação do que você pode imaginar.

Temos mais um exemplo de história onde os humanos (sempre eles) tentam brincar de Deus, desafiando a natureza, mexendo com quem estava quieto (no caso, os dinossauros), sempre se achando mais inteligente que os outros. Até o ponto de se tornarem vítimas de si mesmos, sofrendo as consequências de suas criações.

Quando uma mega corporação cujo chefão (que não sabe quanto dinheiro tem ou já gastou em suas iniciativas) gastam montanhas em dinheiro no desenvolvimento de dinossauros geneticamente modificados, já temos um potencial de caos gigantesco. Agora, imagine quando o chefão dessa companhia é enganado por um infiltrado de uma organização militar, que modifica o seu projeto para criar um dinossauro com potencial bélico.

O resultado é um dinossauro inteligente o suficiente para utilizar as suas características e habilidades para enganar os humanos para destruir tudo e todos, desprovido de qualquer controle. De quebra, ele acaba se tornando o novo líder dos Raptors, dinossauros geneticamente modificados que ainda respeitavam os comandos de seu adestrador.

Agora, só o tal adestrador pode controlar o cenário de caos que rapidamente se estabelece no parque, quando o grande dinossauro monstro sai de controle e resolve brincar com os humanos ao seu redor.

 

 

Apesar de contar com um plot um pouco surreal, Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros se torna divertido por simplesmente abraçar o fato dos humanos serem burros, mexendo com algo que não entende e, ainda assim, insistindo que sabe o que está fazendo. As reações em cadeia propostas pelo roteiro humanizam toda a situação, tornando crível a possibilidade dos humanos estragarem tudo quando decidem dar passos além daqueles determinados pela natureza.

O carisma de Chris Pratt cria o automático contraste com os demais personagens que pouco ou nada entendem de dinossauros, e só estão fazendo aquilo pelo dinheiro, mostrando a diferença entre fazer o seu trabalho por amor e pela obrigação de obter lucros. Isso não só passa o recado de conscientização sobre o quanto os humanos podem destruir o que é natural, também faz uma reflexão indireta sobre o tal monstro do capitalismo trabalhando através daqueles que não conseguem trabalhar porque se entregam por completo.

Isso fica claro quando todos os nomes dos dinossauros são patrocinados por nomes de empresas das mais diversas. Só os humanos seriam capazes de fazer isso.

Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros é um filme bem cuidado e bem produzido nos aspectos técnicos. Por mais que você resista à ideia que é um parque de dinossauros em pleno século XXI (algo muito difícil de se conceber em um mundo racional, mas tecnicamente possível com o avançar da ciência), a imersão para aquele mundo é algo quase inevitável.

Sem falar que o filme é divertido como um todo. Ação é o que não falta, com alguns toques de humor sutil em determinados momentos. É claro que tem algumas situações que são bem surreais, mas também possíveis dentro do universo do cinema (não é a primeira vez que o perigo ameaçador é o combustível para explodir uma tensão sexual que está presente entre duas pessoas), o que torna o filme dinâmico e menos monotemático.

 

 

Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros tem como protagonista e vítima os dinossauros, e os humanos como os grandes vilões. E, por isso, vale a pena. É claro que a ação e a estética do filme justificam toda a experiência, mas os plots que são contados em paralelo ao superficial da narrativa é o que mais cham a atenção nesse blockbuster.

Lembrando que a nova franquia já recebeu uma continuação, e o terceiro filme deve estrear em 2021. Ou seja, pelo menos mais duas resenhas sobre essa história serão publicadas no futuro nesse blog.