Steven Spielberg está de volta ao cinema de ficção-científica com Jogador Número Um, que é baseado no best seller de Ernest Cline.

O filme chegou a ser odiado por boa parte da crítica e público, mas no final das contas é um espetáculo que vale a pena. Um grande entretenimento, que se lembra o tempo todo que precisa ser um bom filme.

Um grande mérito de Spielberg em Jogador Número Um é evitar que o filme caia em um espetáculo visual sem sentido, permitindo que o universo interaja dentro da evolução da história par que o visual impressione, mas sem destruir a sua narrativa.

 

 

O curioso é que o enredo de Jogador Número Um naturalmente te remete a um grande videogame, onde o protagonista precisa superar etapas inevitáveis antes que o vilão consiga fazer isso. Seu desenvolvimento de personagens tende a ficar mais limitado em beneficio de não haver falhas chamativas na progressão da história.

Mas isso não quer dizer que seus personagens são totalmente planos, mas sim que lançam mão de uma chamativa simples, onde alguns momentos mais dramáticos perdem força. O filme se vale disso como um catalizador para que os personagens sigam em frente, ou como de fato eles se definem.

Dito isso, vemos a capacidade de Spielberg em insuflar o espírito de aventura com a magia. Não é um dos seus melhores trabalhos, mas recuperou algo que estava adormecido a algum tempo, brilhando nas cenas de ação.

 

 

Spielberg consegue emocionar com a história contada na tela, por mais que seus personagens contem com determinadas situações. É verdade que as boas atuações de Tye Sheridan e Olivia Cooke ajudam, mas o essencial é que Jogador Número Um tem o sentido de aventura necessário para envolver algumas pessoas, sem se limitar à aparição desses momentos pensado para enaltecer o espectador.

Algumas referências são verbalizáveis, mas a grande maioria das vezes tais detalhes fazem sentido, ou são um adorno que não é algo irritante. É fato que um pode se deixar impressionar facilmente, especialmente quando sua presença se intensifica.

Mas a boa notícia é que Jogador Número Um vai além de ser um festival de referências.

 

 

Uma das bases para isso é que o filme sabe como usar essas referências com diferentes motivos. Seja para adicionar algo que faça você lembrar com carinho do seu passado, ou como elemento essencial para construir uma das provas, ou como ‘decoração’ de alguns deles.

A trama em si é bem simples, e a duração do filme poderia ser mais curto, na hora de construir certas situações e personagens, mas o longa passa de ano, apesar do seu melhorável final meio óbvio, mas tudo acaba se encaixando, onde você assiste aos filmes a cada hora.

Por fim, Jogador Número Um traz de volta o Spielberg que faz tão bem esse tipo de cinema. É fato que o longa fica abaixo dos seus melhores trabalhos, mas é tão legal que enfatizar o negativo não faz muito sentido.