Quem você quer ser na vida?

Uma coisa que eu posso dizer logo de cara nesse texto é o mesmo que eu disse sobre Divertida Mente em 2012: Homem-Aranha no Aranhaverso JÁ É O VENCEDOR DO OSCAR 2019 na categoria Melhor Longa de Animação. E, se você permitir, eu vou usar os próximos minutos da sua vida para dar os meus argumentos.

Qualquer pessoa pode se identificar com a história de Miles Morales. Um garoto humilde, vindo do Brooklyn, latino, que só queria viver a sua vida e perseguir os seus sonhos. A transição para a adolescência não é a fase mais fácil do mundo, e ele mesmo tem ciência disso. E migrar para um meio que não é o dele torna tudo mais complicado ainda.

Miles começa o filme fora do seu próprio universo, e tenta compreender o que está ao seu redor para se encaixar como parte de um novo coletivo que se apresentou diante dele. Porém, as suas singularidades (que já estavam presentes nele antes mesmo de ser picado por uma aranha radioativa) faziam com que ele se destacasse ainda mais, mas não de forma com que fosse bem recebido pelos colegas.

Miles Morales se sentia deslocado. Até que ele encontrou nas pessoas que entendiam o que ele estava passando a aceitação de que ele era diferente e, por isso, era especial. E, a partir daí, aceitou abraçar a sua missão ou destino (entendam como quiser): ser o herói. Em um aprendizado que não é nada fácil.

 

 

Homem-Aranha no Aranhaverso tem tantas mensagens positivas, que vai ser difícil colocar todas elas em um único texto. Mas eu vou tentar ser breve.

O filme fala sobre a importância de você identificar qual é o seu papel e lugar no mundo e, em função disso, desenvolver o que há de melhor em si. Fala sobre se aceitar como diferente, e fazer desse aspecto algo especial em sua vida. Conversa por diversas vezes com as várias diversidades existentes em nossa sociedade, e em como o coletivo hoje trabalha com elas.

Temos mais um filme da Marvel que trabalha com a importância da família, e em como os nossos pais vão nos apoiar nos momentos difíceis. Também aborda a importância de se trabalhar em equipe e o respeito às diferenças (principalmente quando as diferenças estão nas personalidades envolvidas).

Mas a grande lição que Homem-Aranha no Aranhaverso deixa para um público juvenil que está terminando de definir os seus traços de personalidade é: não é uma máscara, não são os poderes e nem as suas habilidades que tornam você um herói, mas sim o seu desejo nato de fazer a coisa certa e fazer o bem por aquela pessoa que mais precisa.

Ao mesmo tempo, ser um herói não quer dizer que você precisa salvar o mundo. Isso é algo impossível. Em nenhuma história de herói isso acontece. Sempre teremos baixas. E, em alguns momentos, os heróis vão perder alguém muito importante para poder salvar outra vida que precisa ser preservada. Em comum, todas as versões do Homem-Aranha perderam alguém muito importante, e entenderam que todo herói passa por isso.

Para ser um herói, você não precisa salvar todo mundo. Basta salvar uma vida.

Outra coisa. Qualquer pessoa pode usar a máscara. Qualquer pessoa pode ser herói de alguém ou de si mesmo. Basta ter a consciência e a coragem para isso.

Homem-Aranha no Aranhaverso é um dos melhores filmes de 2019, logo de largada (poderia dizer que é de 2018, pois o filme estreou nos Estados Unidos no ano passado, mas como eu só estou vendo ele esse ano e acredito cegamente que ele leva o Oscar 2019 de Melhor Longa de Animação, vou considerar como um filme de 2019 nessa parte do texto). É uma das experiências mais completas no cinema que os seus olhos poderão ver.

A sua narrativa é excelente. É envolvente e emocional, mas não cai no modo piegas. Entrega toda a ação que você espera de um filme como esse, mas sem ser cansativo. Tem o bom humor na medida certa, e uma vibe urbana que é perfeita para um personagem com as características de Miles Morales.

Aliás, a trilha sonora desse filme é um show a parte. Coloca você no clima o tempo todo, e até se conecta diretamente com os pensamentos, aspirações e sentimentos do protagonista.

Todos os personagens estão muito bem trabalhados nos seus perfis psicológicos. Todos contam com identidade bem definida, são carismáticos e não caem no vazio. Até mesmo as versões do teioso que aparecem no terceiro ato do filme e contam com pouco tempo de tela roubam a cena de forma positiva.

Sem falar que é um filme que sabe zoar de si mesmo, do começo ao fim (por favor, espere pela cena pós créditos – não saia da sala do cinema antes disso), inclusive quando faz a auto-crítica em forma de piada recorrente sobre as várias vezes em que o cinema contou a origem do Homem-Aranha, algo que todo mundo já sabe de cor.

Mas onde Homem-Aranha no Aranhaverso é realmente matador é na parte gráfica.

 

 

As técnicas de animação adotadas no filme foram extremamente bem cuidadas e trabalhadas. Várias técnicas de animação diferentes trabalhando ao mesmo tempo, em uma estrutura visual que efetivamente coloca o espectador em uma leitura de quadrinhos. Sem falar nos efeitos visuais e de 3D que enchem os olhos. Esse é o tipo de trabalho cinematográfico que deve ser aplaudido de pé pelo resultado final.

Enfim, Homem-Aranha no Aranhaverso é simplesmente imperdível. É uma experiência única. Um dos melhores filmes de animação que eu vi em toda a minha vida. Um filme empolgante e divertido. Você sai do cinema empolgado a ponto de querer voltar para a fila para assistir de novo.

E eu sei que muita gente vai assistir a esse filme várias vezes.