A HBO anunciou que quer mais horas de conteúdo. Isso não quer dizer mais horas por mês de programação, mas sim uma programação que consiga captar o espectador por mais tempo. Ou seja, os velhos tempos onde o canal do It’s Not TV apresentava conteúdos de qualidade a conta-gotas pode chegar ao fim.

Por mais que a HBO diga que não quer ser ‘outra Netflix’, quando ouvimos a expressão ‘mais conteúdo’, é impossível não pensar nessa estratégia. De qualquer forma, a AT&T e a WarnerMedia planejam uma profunda reestruturação que implicaria na união da HBO e Turner. Algo tão polêmico que resultou na saída de Richard Pleple dos postos de presidente e CEO da HBO.

Plepler chegou na HBO em 1992, e se tornou co-diretor executivo em 2007, e o único diretor executivo em 2013. Ele foi um dos principais responsáveis da (mal) chamada ‘Era de Ouro da Televisão), entregando em sua gestão séries como The Sopranos, The Wire, Sex and the City, Veep, Westworld e Game of Thrones. No seu mandato, a HBO ganhou mais de 160 prêmios Emmy, e sua saída ameaça a clássica filosofia que permitiu o crescimento da rede.

 

 

A “netflixização” da HBO

É um sintoma de um mercado de streaming cada vez mais saturado. Em 2018, a Netflix disponibilizou mais de 90 mil minutos de conteúdo original, em 58 mil minutos de séries originais. Manter o ritmo obriga os rivais a colocarem na balança: qualidade ou prestígio?

E isso pode obrigar a HBO a adicionar conteúdos mais “padrão” ou “comum”.

Porém, nem todo mundo está com essa grana toda ou tanto tempo livre, ou querem ver filmes do Adam Sandler. Ou muita gente não quer ver um novo filme da Sandra Bullock (será que Bird Box será lembrado no futuro?), e Roma fez muita gente dormir em casa.

A HBO tem que olhar para o lado e observar bem o que está acontecendo.

Ainda é cedo para concluir qualquer coisa, e a discussão entre o “não queremos ser outra Netflix” e o “precisamos de mais horas de conteúdo para sermos competitivos” continua. Porém, o que está claro é que não é necessário comparar os dois grupos. Cada um tem a sua forma de fazer as coisas.

Netflix e HBO podem conviver juntas. O problema vai acontecer quando as dezenas de plataformas rivais começarem a brigar com a sua fatia do mercado. E não teremos lugar para todos.

Porque nem todo mundo está com esse dinheiro todo sobrando.