Por muito tempo eu escrevi no TargetHD.net que o fanboy era uma raça de ser humano simplesmente desprezível, digno de pena e repúdio. Hoje, eu entendo que essa vertente acabou “evoluindo” (se é que podemos chamar isso de evolução), e infelizmente temos o que o mundo inteiro está chamando de ‘nerd tóxico’.

Eu até gostaria de chamar esse tipo de gente de nerd FDP, mas as mães desses infelizes não podem receber toda a culpa. Só parte dela, por não terem ensinado essas pessoas a pensar como seres racionais. Sim, pois não adianta ter QI teoricamente elevado se você não sabe usar essa inteligência toda.

Eu realmente não consigo ver motivos plausíveis para tanto ódio contra o filme Capitã Marvel. E… não, eu não estou passando pano para a Marvel. Eu aceito que as pessoas não gostem do filme, eu aceito que o filme tem problemas (eu mesmo afirmei que o filme não é perfeito), e eu aceito que muitos esperavam mais do filme que é a prévia para o grande evento do ano no cinema em 2019, Vingadores: Ultimato.

O que eu não consigo aceitar é o hate prévio contra um filme protagonizado por uma mulher empoderada, e não dá para engolir o repúdio contra um resultado final que nem chega a ser o pior da Marvel (desculpa, mas O Incrível Hulk, Thor: O Mundo Sombrio e Homem de Ferro 3 são conceitualmente piores que Capitã Marvel).

Aceito que gosto não se discute, e o conceito de bom ou ruim é relativo, e pode variar a partir de diferentes perspectivas. Mas o hate irracional e sem fundamentos elaborados contra Capitã Marvel é algo sistemático e quase padronizado: de um modo geral, as mulheres e meninas se identificaram com o filme e com a personagem central, enquanto que os homens e meninos estão criticando o longa por vários aspectos que, sendo bem sincero, são meras desculpas para camuflar um machismo que agora querem institucionalizar à força.

E aqui, eu não estou falando apenas de machismo. O nerd tóxico é racista, preconceituoso, misógino, xenofóbico… é quase um eleitor do Bolsonaro. E eu afirmo isso porque foi praticamente o mesmo repúdio ao filme Pantera Negra, vencedor de três Oscars (eu repito para quem é cego e não leu: PANTERA NEGRA VENCEU TRÊS OSCARS), onde um grupo de haters tentou diminuir o filme a todo custo, indo do “nem é para tanto, pois é só mais um herói negro” até as mesmas falsas qualificações negativas em sites especializados, tal e como acontece agora com Capitã Marvel.

É curioso como um filme que vai mal nas notas públicas do Rotten Tomatoes está com uma estimativa de bilheterias para o seu primeiro final de semana nos cinemas de nada menos que US$ 160 milhões. Mais e mais pessoas estão interessadas em assistir ao filme, e o interesse pela personagem só aumenta.

O nerd tóxico precisa parar de se envenenar com o seu próprio veneno, pois não dá mais para aceitar que em pleno 2019 possa existir um grupo de pessoas pseudo-inteligentes que tentam doutrinar o pensamento de outras através de narrativas distorcidas e do desejo de diminuir algo que é maior do que eles.

Insisto: quando esse grupo de pessoas poderia muito bem estar celebrando o fato da cultura nerd finalmente ser mainstream e de acesso para o grande público, ficam disseminando o ódio e o preconceito através de atitudes tão infantis, que despertam vários questionamentos sobre a capacidade de raciocínio e até da inteligência desse coletivo.

Sim… eu achei uma forma bonitinha de chamar o nerd tóxico de nerd burro. Por mais que seja contraditória tal afirmação.