Florence - Quem é Essa Mulher?

 

Só Meryl Streep para fazer a gente amar a cantora mais desafinada de todos os tempos.

Muita gente criticou o filme “Florence – Quem é Essa Mulher?”, com uma certa dose de razão. O filme tem erros de execução e problemas no seu roteiro que matam a experiência que poderia ser mais interessante. Por outro lado, a própria Florence Foster Jenkins não ajuda: sua história não tem nada de extraordinário.

Mesmo assim… queria entender por que Amy Adams ficou de fora da corrida do Academy Awards 2017. Sim, pois muita gente entendeu que foi justamente Meryl Streep quem tomou o seu lugar.

 

Sabe, se é para culpar alguém pela ausência da protagonista de “A Chegada” na lista de indicadas na categoria Melhor Atriz, culpe toda a Academia de Hollywood. Não entendo essa coisa de tirar o mérito de alguém para que outro alguém entre em uma disputa.

Enfim, deixando polêmicas de lado, “Florence – Quem é Essa Mulher?” não é aquele filme todo. Como disse antes, há problemas de roteiro. Por mais que a história mostre o grande feito da vida de Florence – se apresentar no Carnegie Hall de Nova York -, o filme mostra a sequência de acontecimentos um tanto quanto às carreiras e de forma displicente. E olha que este filme tem 1h50 de duração.

Porém, tudo isso é eclipsado diante da carisma de Meryl Streep.

 

 

A vencedora de três Oscars não faz mais papéis com a pretensão de vencer o prêmio. Muito provavelmente ela sabe que será indicada de tempos em tempos, mas por causa da própria filosofia dos membros da Academia, ela não deve mais vencer, para dar chance para outras atrizes igualmente talentosas.

Eu particularmente não acredito que Meryl vença. Emma Stone merece esse Oscar por La La Land. Mas é indiscutível que Streep colocou todo o seu talento para tornar uma mulher simples e até pedante alguém carismático na tela. E sem fazer muita força.

Não só por ser a protagonista, mas Meryl Streep basicamente monopoliza o filme para ela, e sem esforço. Nada contra Hugh Grant que está muito bem no papel de carismático marido de Florence, e até Simon Helberg não escorrega tanto como o pianista de nossa heroína.

Porém, em cada cena, Streep mostra suas melhores expressões, e até mesmo cantando mal (sim, pois ela já mostrou em diversas vezes que sabe cantar) ela consegue convencer.

 

 

O filme mostra não a evolução de Florence como cantora (pois milagres não existem), mas sim a mudança de perspectiva daqueles que estão ao redor dela sobre os motivos que a fizeram enfrentar a crítica alheia e suas próprias limitações para poder cantar.

Sou suspeito para falar, pois adoro música. Mas mais uma vez temos um filme que utiliza a música como pano de fundo para mostrar o que devemos enfrentar em nome dos nossos sonhos. Eu gosto dessa proposta. Já outros acham que é uma apelação descarada.

Poucas pessoas sabem o quão difícil é subir em um palco e cantar com o coração, mesmo que você não tenha condições técnicas de fazer isso. Logo, a grande lição de Florence não é a musical, mas sim a emocional. Ela sabia que estava no fim da vida. Logo, queria realizar o grande sonho para ter uma vida completa.

E para isso, não podemos esperar o fim da vida.

 

 

“Florence – Quem é Essa Mulher?” é um filme meio brega e piegas demais em alguns momentos, o que mata a experiência do filme. Entendo que a proposta era mostrar uma sociedade bem diferente da nossa, mas o resultado final em alguns momentos realmente incomoda. Sem falar que deixar de mostrar a trajetória prévia da vida de Florence Foster Jenkins foi um grande erro. Para muitos, o filme passa a impressão que ela era uma mulher milionária, fútil e que só conseguiu o que queria porque tinha dinheiro.

E não é assim que a banda toca. Florence foi uma das maiores entusiastas da arte em Nova York no inicio do século passado, uma musicista que iniciou vários músicos, sem falar que ela conhecida grandes gênios da música na época. Ela tem sim a sua relevância na história da música nova-iorquina, mas ficou marcada pelo seu último ato… totalmente desafinado.

Mas… como posso dizer… não é o monstro que pintaram.

E Meryl Streep está com uma indicação ao Oscar mais que merecida.

Se alguém tiver que reclamar, que o façam com os velhos da Academia, que não quiseram abrir uma vaga a mais.