Game of Thrones (Foto: HBO Divulgação)

CONTÉM SPOILERS

Existe um dizer já velho conhecido dos fãs de Game of Thrones: “Venha pela violência, nudez e sexo, fique pela história e ótimos personagens.” Essa premissa refletiu a realidade da série durante anos, que, graças aos livros de ‎George R. R. Martin, brindaram o público com um universo rico e altamente complexo e nos permitiram acompanhar a evolução de protagonistas que nunca foram completamente heróis ou vilões, mas navegaram constantemente entre ambas distinções. Com dezenas de enredos, centenas de personagens, e um volume gigantesco de informação a ser explorado, era de se esperar que o fim da série de maior sucesso dos últimos tempos – talvez a maior – não agradasse a todos.

O último episódio exibido na noite de ontem (19) não trouxe exatamente muitas surpresas, uma vez que vários dos acontecimentos já haviam sido previstos pelo público, de uma forma ou de outra. Desde o episódio anterior ficou claro qual seria o destino de Daenerys, e Jon Snow foi o escolhido para executá-lo, contrariando algumas teorias de que Arya acabaria sendo a assassina. A partir daí o episódio toma um rumo confuso e muito do que acontece não tem embasamento. Em uma cena um tanto quanto estranha, os representantes das casas restantes reúnem-se em Porto Real para decidir o destino dos sete reinos, que permanecem sem monarca. Após uma breve discussão e da intervenção de Tyrion, Bran Stark é nomeado rei, de forma quase unânime, exceto por Sansa que insiste que o Norte permaneça um “estado livre”.

É interessante notar como os Stark, que foram tão massacrados durante toda a série, terminam como a casa mais completa e cujos integrantes tiveram de certa forma os melhores destinos, mesmo separados. Jon de volta à Muralha e à Patrulha da Noite, na companhia dos selvagens e de seu fiel lobo Ghost, Arya seguindo sozinha em sua próxima aventura, enquanto Sansa foi coroada Rainha do Norte. A despedida dos quatro foi uma das cenas mais emocionantes da finale. Brienne, Bronn, Sam, Davos e Tyrion permanecem em Porto Real e juntos formam o novo conselho. A série de livros original, “As Crônicas de Gelo e Fogo” ganharam uma homenagem, lembrando o público da obra que deu início a tudo.

O veredito

Depois de 8 temporadas com índices de audiência extraordinários e uma imensa legião de fãs, GOT de certa forma sucumbiu à maldição de diversas outras séries de sucesso ao produzir uma temporada final que não fez jus ao desenvolvimento de boa parte dos seus personagens, fazendo com que alguns deles até regredissem, no caso de Jaime, e deixando outros mal utilizados ou escritos de forma incoerente, como Tyrion. Algumas perguntas ficaram sem resposta e alguns pontos não foram propriamente explorados, como por exemplo a profecia sobre o Azor Ahai.

David Benioff e D.B. Weiss sofreram duras críticas pelas escolhas que fizeram, e com o último episódio com certeza não será diferente. A partir do momento que a série ultrapassou os livros publicados, os roteiros inegavelmente passaram a não apresentar mais a mesma qualidade, inclusive culminando com a reprovação do próprio R. R. Martin e a garantia de que o final literário seguirá um caminho bastante distinto. A HBO espera continuar lucrando com a obra, que já tem prequels engatilhadas. “O que está morto não pode morrer”, já diziam os Greyjoys.

Aos fãs insatisfeitos, resta aguardar e descobrir o que está planejado para os próximos dois livros. O consenso geral, porém, é um só: que uma série com milhões de espectadores fiéis, que sorriram, choraram e sofreram com os mesmos personagens durante quase uma década, mereciam um desfecho à altura das suas expectativas.

Comentários

Comentários

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui