Sempre disseram que a pirataria é um crime terrível, que gera sérios danos na indústria do entretenimento e gera milhões em prejuízos para os produtores. A história é a mesma para vários tipos de mídia e/ou entretenimento: séries, filmes, livros, videogames, etc. No entanto, esse mito pode finalmente ser derrubado com pesquisas recentes que provam o contrário.

Sabemos que as empresas de entretenimento fizeram todos os tipos de esforços para pressionar os governos a gerar duras leis de proteção de direitos autorais. Diante disso, as pessoas se perguntam se, na realidade, a pirataria resulta em tantos danos. Não só isso: se existe alguma empresa ou órgão governamental que pode realmente tentar controlar a internet.

Essas perguntas foram feitas por Antino Kim e sua equipe na Escola de Negócios Kelley da Universidade de Indiana. Em uma pesquisa publicada no MIS Quarterly Journal, eles questionam os esforços para combater a pirataria.

A dúvida foi levantada depois de ver Game of Thrones como uma das séries mais pirateadas da história. Apesar da terrível reprodução ilegal, parece que a HBO não tomou medidas sobre o assunto. O motivo é que a empresa provavelmente está se beneficiando mais do que sendo prejudicada com esse problema.

 

 

Ilegal, mas benéfico

A análise foi feita do ponto de vista econômico. O estudo ressalta que a pirataria desempenha um papel importante na prevenção do aumento dos preços dos produtos. Caso houvesse apenas cópias legais de uma produção, o criador e os distribuidores aumentariam os preços. Isso acontece por causa de um fenômeno chamado “Double Marginalization”, no qual toda a indústria se sentiria livre para aumentar suas margens de lucro.

Mas como a pirataria existe, a banda não toca dessa maneira. O estudo garante que a “dupla marginalização” é reduzida ou limitada, e que os preços justos são mantidos para adquirir algo legalmente. Em outras palavras, a pirataria gera “concorrência de sombra” para o que poderia ser um monopólio.

O resultado disso é que os preços de assinatura ou compra de conteúdos de entretenimento permanecem relativamente baixos. Assim, é mais provável que as pessoas acabem adquirindo legalmente o produto, o que é algo benéfico para todas as partes envolvidas no processo.

Os pesquisadores esclarecem que não pretendem promover a pirataria com esse estudo. Eles simplesmente aconselham as empresas que precisam estar cientes de que uma política extremamente repressiva para esse tipo de ilegalidade não será tão útil. Na verdade, eles citam casos como o da HBO que, sabendo desse “problema”, simplesmente ignora o mesmo e aproveita a incrível popularidade de Game of Thrones.

 

+info