O Oscar da diversidade.

Com uma Academia de Ciências e Artes Cinematográficas de Hollywood reformulada (mais de 2 mil membros novos, boa parte deles mulheres, negros e pessoas de diferentes etnias, retirando alguns dos homens brancos e com mais de 60 anos que estabeleciam o perfil predominante entre os votantes), o Oscar 2019 finalmente entendeu o que significa a palavra diversidade. Ou teve que aceitar a fórceps o que é isso. Senão, ia perder mais audiência.

A esmagadora maioria dos prêmios entregues no Oscar 2019 mostraram essa nova fase de Hollywood, que não só queria mostrar ao mundo que estava olhando o nosso mundo com outros olhos (e o cinema representava esse movimento de mudança), mas também dar uma resposta para as políticas extremistas estabelecidas por governos autoritários e irracionais.

Beijo, Donald Trump. Alias, os recados foram dados para ele, mas ninguém mencionou o seu nome na premiação. O que eu acho ótimo, pois ninguém em Hollywood quer dar ibope para gente babaca.

Em vários vencedores, podemos ver essa tal diversidade e representatividade dos vários grupos que nem sempre recebem voz ou são representados de forma justa. Por exemplo, quando Pantera Negra leva para casa três Oscars, fica claro que o momento é para um discurso mais forte e direcionado para a comunidade negra, que finalmente foi representada no cinema com o empoderamento tão reivindicado.

Goste você ou não, querido racista de merda, mas Pantera Negra deu certo. Aceite isso.

Quando Helen Mirren e Jason Momoa apresentam um prêmio vestidos de rosa e comemoram o fato que hoje as pessoas são livres para usar roupas com a cor que quiser, sem uma orientação cromática em função do gênero, o recado até parece que é para a tal ministra maluca, a tal Damares. Mas não é. Lá também tem gente se preocupando demais com a cor de roupa que a pessoa usa e não pensa muito no fato da pessoa ser feliz e se sentir bem com isso.

Quando Roma leva tantos prêmios, fica claro o recado de Hollywood em entender que o mais importante é construir pontes, e não muros. Alfonso Cuarón é mexicano, e venceu contando uma história tipicamente mexicana. Algo incrível em tempos onde muita gente simplesmente não se importa em aprender um pouco com o vizinho.

Quando Rami Malek fez o seu discurso ao vencer como Melhor Ator por Bohemian Rhapsody, ele sabiamente lembrou a todos que a Academia deu o prêmio para um ator filho de pais egípcios, que interpretou um cantor gay, também filho de imigrantes. As conexões aqui são muito fortes e claras para serem ignoradas.

E quando Spike Lee finalmente leva um Oscar competindo em alguma categoria… que alegria, minha gente. Poucas vezes eu vi Spike Lee tão feliz. E poucos prêmios foram tão celebrados quanto esse.

O Oscar 2019 deu o recado ao mundo, e esse recado é claro: estamos aprendendo (finalmente) o que é diversidade, e estamos tentando aprender com ela. OK, algumas escolhas pontuais entre os vencedores não me agradam, e podemos discutir depois se Green Book realmente merecia vencer como Melhor Filme (particularmente, estou satisfeito com essa escolha).

Mas nesse momento, depois que tudo acabou, o que podemos dizer é que foi uma das cerimônias do Oscar mais divertidas, interessantes e inclusivas que eu vi em toda a minha vida. Não durou as três horas que a Academia queria, mas ao menos não gerou o cansaço dos anos anteriores.

E o mais importante: mostrou sinais claros que quer receber os diferentes na premiação. Se cansou do mundo dos iguais e dos conservadores. Se cansou do mundo pregando o ódio quando podemos aprender com o amor daquele que é diferente de nós.

Comentários

Comentários

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui