E o Emmy Awards foi… interessante.

Escrevo esse post sem saber dos números da audiência da premiação nos Estados Unidos, mas posso dizer que o Emmy Awards 2018 foi pelo menos mais ágil que nos anos anteriores. Só não entregou em três horas exatas (3h02) porque Will Ferrell decidiu fazer aquela piada infeliz, e conseguiu atrasar o final do evento.

Tá, não só isso… teve o pedido de casamento de Glenn Weiss, algo que foi bem legal. Mesmo assim, a coisa estava tão acelerada, que quando Ferrell quis dar a sua caminhadinha infeliz, a premiação ainda estava dentro do tempo.

Gostar ou não da lista de vencedores é algo subjetivo. A lista me agrada por escolhas pontuais, mostrando uma tentativa da Academia de Artes e Ciências Televisivas em dar espaço para novas ideias e novos conceitos de séries.

Uma piada que Colin Jost e Michael Che usaram e que cabe como uma luva para o momento atual da TV norte-americana é que “comédia é agora um drama que dura 30 minutos”.

O humor subjetivo, subliminar e até mesmo o humor feito pelas ironias da vida está consolidado. E era isso o que a indústria de TV queria: sair das sitcoms de piadas fáceis para um humor mais inteligente, mais no estilo dos comediantes stand-up que estavam escrevendo e atuando nessas séries.

Nesse aspecto, podemos dizer que evoluímos. De novo, é subjetivo entender que uma determinada série é humor ou não (Orange is the New Black já foi indicada como DRAMA no Emmys), mas dentro da nova proposta apresentada, temos comédias inteligentíssimas.

O mérito de The Marvelous Mrs. Maisel é enorme. É a comédia nova mais interessante, e muitos entendem que, em um ano onde Veep foi forçada a ficar de fora (por conta das questões de saúde de Julia Louis-Dreyfus), a nova comédia de Amy Sherman-Palladino era o frescor do novo na TV norte-americana.

Especialmente com uma proposta tão representativa e conectada com as problemáticas do nosso tempo.

Nas Limited Series, um nome é a força dominante: Ryan Murphy.

Ele é o homem mais poderoso da televisão, ainda mais agora que tem um contrato de US$ 300 milhões para produzir séries para a Netflix. E essa foi uma estratégia muito interessante de Ryan: suas séries serão renovadas por muito tempo pela Fox, e se não forem (já que o futuro é incerto nas mãos da Disney), ao menos ele já garantiu o seu pé de meia na plataforma de streaming.

Porém, independente de qualquer coisa, a franquia American Crime Story está mais que consolidada, e mereceu toda a visibilidade que recebeu. Foram duas temporadas simplesmente soberbas.

Por fim, nos dramas.

Por mais que The Handmaid’s Tale seja impactante pelos temas propostos, muitos entendem que a série “perdeu a mão” na segunda temporada. Além disso, estamos falando de Game of Thrones, que já é a série mais vencedora da história do Emmy Awards.

Logo, é natural que o drama épico da HBO leve os prêmios em 2018, e vai levar o Emmy Awards de Melhor Série Dramática em 2019, para ser consolidada de uma vez por todas como a maior série de todos os tempos (veja bem: eu disse A MAIOR, e não A MELHOR). Duvido que o Emmy em sã consciência não vai coroar a grandiosidade desse trabalho.

Enfim… o Emmy Awards 2018 foi interessante. Alguns momentos pontuais tiraram a premiação do lugar comum, oferecendo um cenário geral de televisão nos Estados Unidos que reflete como a indústria vê o conceito de arte televisiva.

Isso (obviamente) é algo bem diferente do que entender como a audiência da TV está consumindo essas séries. Mas para isso temos o People’s Choice Awards, o Teen Choice Awards, o MTV Movie & TV Awards e outras premiações com votação popular.

O Emmys tenta a cada ano apresentar visões novas e propostas novas para o grande público. Isso é louvável. Mas talvez esteja faltando a ideia de se conectar mais com esse público, até mesmo para tentar evitar uma queda livre de audiência do evento, tal e como o Oscar tem como desafio geral nos próximos anos.

Quem sabe em 2019.