Ninguém citou o nome do presidente dos Estados Unidos Donald Trump durante a cerimônia do Oscar 2019. Mas nem precisava, pois as indiretas que ele levou foram várias, principalmente de Spike Lee, no seu discurso de vencedor em melhor roteiro adaptado por Infiltrado na Klan.

Porém, Trump, egocêntrico e vitimista como só ele, deu um jeito de aparecer no Oscar 2019, mesmo que fosse depois do fim da premiação.

Spike Lee fez um emotivo discurso, e convocou o país para ‘se mobilizar’ diante das eleições presidenciais em 2020, onde os cidadãos deveriam ‘fazer uma escolha moral entre o ódio e o amor’. Trump achou que esta foi uma shade para ele, e correu para o Twiiter para acusar Spike Lee de (pasmem… acreditem, se quiser…) racista. #WTF

Palavras do homem laranja:

“Seria bom se Spike Lee pudesse ler suas notas ou, melhor ainda, que não tivesse que usá-las em absoluto, ao fazer esse ataque racista contra o seu presidente, que fez mais pelos afro-americanos (reforma da justiça penal, números mais baixos de desemprego na história, redução de impostos, etc) que quase qualquer outro presidente.”

Há muito mais por trás dessa declaração imbecil de Donald Trump.

Mas para compreender tudo, é preciso assistir com atenção ao filme Infiltrado na Klan. Logo, se você não quer arruinar a sua experiência com um detalhe demolidor da trama, recomendo que você pare de ler esse post agora.

 

 

SPOILERS A PARTIR DE AGORA

Toda a história do filme acontece na década de 70. Porém, as últimas sequências do filme dão um salto temporal para as imagens reais que mostram os ataques racistas em Charlottesville, em 2017.

No final, a reflexão que o filme sugere é que temos hoje um racismo que é velado. E esse racismo é tão perigoso quando aquele que existia há 50 anos, e que agora está mais vivo do que nunca depois da vitória de políticos como Trump e Bolsonaro (desculpa em quem votou no Messias, mas como negro eu posso falar isso com propriedade, e você não pode dizer que eu estou errado).

O incendiário discurso político de Trump tem os mesmos padrões dos líderes políticos da KKK do passado. E com certeza Trump deve ter odiado essa associação, por mais verdadeira que seja.

Spike Lee ainda não se pronunciou sobre a infeliz declaração de Trump no Twitter. Mas nem precisa: ele tem um Oscar.