A Netflix mudou o jogo do consumo de entretenimento, e em todo o mundo. Hoje, não pagamos caro para ver conteúdos de qualidade, tudo vem pela internet e no conforto da sala de nossas casas, e a TV a cabo é um item quase obsoleto em nossas vidas.

O cinema tradicional foi o mais afetado por esse efeito. As bilheterias caíram de forma considerável, especialmente pelo fato das gigantes do setor não entenderem esse movimento de mudança, mantendo os preços elevados e com uma relação custo/benefício que nem sempre compensa a saída de casa.

Por isso, os “dinossauros” da produção de conteúdo, as grandes corporações que acreditavam estar com a bola nas mãos, precisaram se mover e se coçar para minimizar o estrago. E todos seguiram o caminho da Netflix, oferecendo conteúdos próprios em plataformas de streaming.

HBO, CBS All Access, Fox Play, Watch ESPN, ESPN Play e tantas outras que antes estavam apenas na TV e entendiam que só poderiam oferecer os seus conteúdos na TV acabaram se rendendo ao streaming, ofercendo suas alternativas (em alguns casos, independentes do pacote de TV por assinatura) para alcançar os novos consumidores.

E a Disney só foi mais uma a subir nesse trem do vídeo on demand. A diferença é que a Disney não é qualquer uma.

O portfólio de conteúdos da Disney estava na Netflix enquanto o modelo de negócio da empresa de Ted Sarandos não era interessante para o Mickey. Com a mudança de paradigma, o Disney Play já nasce muito forte, causando estragos na própria Netflix…

…e despertando a consciência dos “dinossauros” do setor.

Entendo que o movimento da Disney em criar a sua própria plataforma com conteúdos exclusivos não é apenas uma forma de seguir o modelo de negócio da Netflix ao pé da letra, mas também uma forma de mostrar aos demais como deve ser o contra-ataque.

Tudo indica que, no futuro, veremos mais plataformas de produtores de conteúdo, entregando séries e filmes de forma exclusiva, sem medo de ser feliz e sem pensar no amanhã, que pode ser bom ou ruim para o consumidor.

Se por um lado teremos alternativas mais baratas para ver aquilo que nós queremos, para aquelas pessoas que querem ver tudo, pode ser mais interessante voltar para a TV a cabo tradicional, pois a conta não vai fechar.

Eu já falei sobre isso algumas vezes aqui no blog, mas entendo que o impacto de uma gigante como a Disney assumir para si a oferta exclusiva de seus conteúdos pode mexer de forma muito considerável com todo um setor.

Estamos falando de algumas das maiores bilheterias do planeta, e de conteúdos que contam com o apelo junto ao público infantil e infanto-juvenil há décadas. É uma mina de dinheiro que certamente fará com que a iniciativa funcione de forma sustentável.

E, considerando os conteúdos pensados nas novas gerações e também no público adulto, a Disney Play pode ser o exemplo perfeito de o que uma gigante do entretenimento deve fazer (e como deve fazer) para destronar a até então intocável Netflix no segmento de streaming.

O futuro vai dizer se esse exercício de futurologia tem alguma lógica. Mas em linhas gerais, não é nenhum absurdo dizer que finalmente a Netflix está seriamente ameaçada a perder o trono no segmento que ela basicamente criou sozinha.