dirty dancing

Dirty Dancing é um filme que, muitos de nós viu tantas vezes, que sente vergonha disso. Tem gente que vê o filme desde a época das fitas VHS alugadas na Blockbuster, e revê nas reprises da TV e tem um DVD escondido em casa.

Dirty Dancing completou 30 anos de sua estreia (1987), e se tornou um filme clássico, que não deixava ninguém indiferente, com frases icônicas e danças que entraram no imaginário cultural coletivo.

Nesse post, temos alguns dos segredos do filme que transformou Patrick Swayze e Jennifer Grey em ícones dos anos 80, mesmo sendo um filme que (quase) ninguém apostou nada por ele.

 

 

O roteiro de Dirty Dancing parecia destinado ao fracasso. Levou seis anos para ser comprado pela pequena produtora Vestron Pictures. No final das contas foi um acerto e, mesmo assim, com ressalvas.

O filme, que iria estrear direto no VHS, recebeu um orçamento de US$ 6 milhões, e foi para os cinemas. Acabou arrecadando US$ 214 em todo o planeta. Um fenômeno.

A trilha sonora do filme vendeu 32 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos, e em 1988 foi o filme mais alugado nas videolocadoras. Até hoje o filme gera lucros com a trilha sonora, DVDs, adaptações teatrais, a péssima continuação, várias reprises e o remake exibido na última temporada pela ABC.

Dirty Dancing contava uma perfeita história de amor de verão. Em 1963, Baby Houseman (Jennifer Grey) é uma inocente jovem que vive o seu último verão antes de ir para a universidade, com o sonho de mudar o mundo. Mas está aborrecida por ter que ir com sua família para o antiquado resort Kellerman.

No resort, Baby encontra Johnny Castle (Patrick Swayze), um atraente professor de dança. Uma situação comprometedora fará que Baby ajude à Johnny e seus amigos (os demais funcionários do resort) na solução. E isso fará com que Johnny ensine a moça a dançar, o que vai despertar a ira do seu pai.

 

 

Mas Baby e Johnny contam com sentimentos recíprocos, vivendo uma história de amor onde ela vai descobrir a beleza do sexo, através do amor e da confiança, livres de preconceitos.

O filme foi capaz de esconder em uma típica história de amor várias mensagens importantes, que questionavam e criticavam as liberdades da sociedade norte-americana.

Baby se sentia insegura e nervosa diante de um homem confiante e seguro de si mesmo. Sem falar que ela se sentia sexualmente atraída por ela. Isso poderia indicar uma relação dela como sexo frágil e ele como macho dominante, mas o filme mostra o contrário.

Baby passa a viver uma realidade muito mais palpável, convivendo com pessoas que lutam mais para sobreviver. Ela, como jovem da década de 1960, sentia que as coisas estavam mudando. Mas na sua família ainda estavam estacionadas nos conceitos arcaicos da classe média-alta norte-americana.

 

 

Além da ruptura da diferença das classes sociais, Dirty Dancing também se posiciona a favor do aborto. A parceira de dança de Johnny que fica grávida de um dos estudantes universitários que está trabalhando no resort mostra de novo o poder da diferença de classes e seu empenho em menosprezar os inferiores.

A menina decide abortar, sem a ajuda do pai. O procedimento é caríssimo, sem falar no risco de sua vida. Baby, que defendia o que era justo, ajuda a menina a abortar, mesmo que isso a leve a decepcionar seu pai.

Ao longo do filme, Baby deixa de ser uma menina inocente para se tornar uma mulher valente e lutadora. A evolução é um contraste com a quase nula personagem da sua mãe (Kelly Bishop), sempre à margem de tudo, mas preocupada com a revolução emocional que sua filha está passando.

 

 

Baby enfim descobria que o mundo não era do jeito que a haviam ensinado. Rompeu a sua bolha e descobre o que é uma vida de lutas diárias para seguir em frente. Descobre o sexo e se entrega ao amor como ninguém, mudando a forma de entender a vida de Johnny, tao prejudicado pela elite como pela ralé.

Porém, o casal Patrick Swayze e Jennifer Grey foram a cereja do bolo de tudo isso.

Swayze tinha um físico imponente e olhar sereno, enquanto que Grey era muito distante dos padrões de beleza da época, e ainda era uma desconhecida em Hollywood, apesar de ter feito o ótimo Curtindo a Vida Adoidado.

 

 

Mas os dois juntos resultavam em faíscas. E, pasmem, mesmo com ambos não se suportando na vida real, onde só se dirigiam a palavra para gravar as cenas. Logo, os dois foram tão bons atores que jamais percebemos isso dante das câmeras.

Pelo contrário: a cena do primeiro encontro sexual entre Baby e Johnny teve que ser censurada por ser considerada muito erótica.

 

 

Nenhum dos dois confirmou a péssima relação nos bastidores. E após a morte de Swayze em 2009 por conta de um câncer no pâncreas, Grey afirmou que “ele era um excelente bailarino e não tinha medo. Sua valentia e minha covardia formavam um casamento de pessoas completamente opostas. Ele se atrevia em tudo, e eu tinha medo de tudo”.

Por fim, a trilha sonora.

 

 

Todo mundo já ouviu Time of My Life umas 500 vezes, já viu a sequência final do filme outras 1000 vezes, e alguns de nós já tentaram reproduzir essa cena em algum momento de nossas vidas.

Dirty Dancing tem uma das melhores trilhas sonoras do cinema dos anos 80. Fato. Com vários hits de sua época, é um dos álbuns musicais mais vendidos da história. Com canções de artistas como The Ronettes, The Blow Monkeys, Bruce Channel e até Patrick Swayze, interpretando She’s Like The Wind.

 

 

Logo, Dirty Dancing é um cult. Um clássico dos anos 80 que conta uma incrível história sobre a perda da inocência, o despertar sexual e a igualdade.

E tudo isso, no ritmo de Hungry Eyes, e nos pés de Patrick Swayze.