A polêmica sobre a escolha de Scarlett Johansson para interpretar um mafioso transgênero continua. Dessa vez, Sebastián Lelio, diretor de Uma Mulher Fantástica, decidiu dar a sua opinião sobre o assunto.

Uma Mulher Fantástica é protagonizada pela atriz e cantora transexual Daniela Vega, e o filme foi um sucesso enorme, conquistando o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Isso fez do longa um símbolo para esse grupo de pessoas.

Porém, seu diretor não quer ser o exemplo sobre como se deve escolher um casting para um filme. Lelio defende que Scarlett Johansson tem o direito de interpretar quem ela quiser, independente do seu gênero, e reivindica a liberdade artística, afirmando que isso é mais importante do que a correção política na hora de decidir o elenco de qualquer produção.

É uma postura sensata e acertada por parte do diretor. Qualquer ator deveria poder interpretar qualquer papel, e sabemos que a correção política é um perigo para as artes.

Porém, talvez a realidade seja mais complexa, e podemos cair na ingenuidade diante do cenário geral. Por exemplo, Daniela Vega tem o direito de interpretar homens e mulheres. Isso seria o ideal, mas… nesse momento… é uma opção real?

Quem protestou contra a escolha de Scarlett Johansson indicou esse ponto: os intérpretes transgêneros são excluídos dos castings para dar lugar para personagens cis gêneros. Logo, no lugar de proibir, é preciso compreender e apoiar as brigas contra uma posição injusta nesse mundo.

Quem sabe quando a situação estiver mais normalizada, esse tipo de polêmica não importe tanto. Por enquanto, a melhor arma ainda é o debate.

 

Via THR