Eu precisava me preparar adequadamente para assistir (e escrever) sobre WiFi Ralph. Por isso, me dei ao direito de assistir novamente ao Detona Ralph, de 2013. Eu não escrevi sobre esse filme aqui no SpinOff.com.br, e não sei por que eu não fiz isso. Na verdade, eu sei: naquela época, o blog era totalmente voltado para as séries de TV, e não para os filmes.

Eu confesso que gostei mais de ver o filme em 2013 do que em 2019. Diferente de outras propostas recentes de animação da Disney, Detona Ralph é um filme totalmente infanto-juvenil, apesar de ter sempre as tradicionais lições de fundo de narrativa que já estamos acostumados.

Mas falando do arco principal… é simples: Ralph é um vilão que está de saco cheio de ser marginalizado por ser um vilão, e entende que a única forma de obter o respeito do restante da comunidade do seu jogo é recebendo uma medalha de herói. Para conseguir uma medalha, ele precisa realizar um ato heroico. Ele até consegue a medalha, mas na base da gambiarra. Então, ela vai parar em um jogo que não é o dele, encontra uma menininha que é tão marginalizada quanto ele porque ela é um bug (ou erro) dentro do seu próprio jogo, e os dois decidem se ajudar para alcançarem os seus respectivos objetivos.

 

 

Eu entendo porque eu me empolguei mais com Detona Ralph em 2013. Porque eu estava muito mais alinhado com a proposta das referências aos jogos de videogames que o filme explora. Aliás, todo o filme aposta nisso, e as referências são muito bem vindas. E acho que as referências da internet que estarão presentes em WiFi Ralph devem me ajudar a ver o novo filme, com a mente devidamente ajustada aos novos tempos.

Porém, revendo o filme de 2013, eu entendo que algumas coisas ficaram datadas, e o gostar ficou na empolgação do momento. Não que eu ache Detona Ralph um filme ruim. Ele não é. O filme é ótimo. Mas ele é claramente voltado para o público mais novo, com uma narrativa de causas e consequências bem evidentes.

Mesmo assim, é possível extrair pelo menos uma boa lição do longa.

A grande lição é a da auto aceitação. Ralph precisava efetivamente entender que o destino dele era ser um vilão, e que ser um herói de verdade não significa ter uma medalha, mas sim ajudar alguém de verdade, sem medir esforços. Vanellope também tinha que lidar com o fato que passou boa parte de sua vida marginalizada por ser diferente, mas sempre se aceitou melhor como diferente das demais. Era Ralph quem precisava aprender a essência do herói e se aceitar.

 

 

Detona Ralph é um filme visualmente muito bem resolvido, muito colorido (como era de se esperar) e com um bom ritmo. Os textos são muito bons, e a ação não deixa a peteca cair. Mas é um filme que vale mais pelas referências mesmo.

Eu espero (sinceramente) que WiFi Ralph seja uma experiência mais empolgante. E confesso que eu tinha memórias melhores de Detona Ralph. Ver o filme de novo dessa vez não ajudou muito.