assédio

É inacreditável como pessoas supostamente mais letradas do que eu e você podem “confundir as coisas”. Ou confundem de propósito para confundir quem é menos letrado. De qualquer forma, está emergindo as vozes que entendem que existe um “exagero” nos casos de denúncia de assédio sexual em Hollywood. E são vozes importantes.

No Brasil, Danuza Leão recentemente escreveu em sua coluna que achou o Golden Globe Awards 2018 um “velório”, com tantos manifestos contra a cultura do assédio. Na França, a lendária atriz Catherine Deneuve lidera um manifesto que defende que os homens devem ser livres para cortejar mulheres.

 

 

Antes de sair criticando tudo e todos, quero ter algum ponto de ponderação, e entender que, nesse exato momento, onde tudo está muito turbulento, é fundamental saber entender todos os lados, e validar todos os lados. Mesmo porque, se vamos nesse momento reformular os padrões de relacionamentos, não podemos deixar margem para uma interpretação errada.

Por outro lado, questiono muito a “ignorância relativa” (veja bem, eu disse RELATIVA; não estou chamando ninguém de ignorante) de Danuza Leão sobre o que é assédio. Mesmo porque ela afirma que “toda mulher merece ser assediada”,  e eu entendo qual é o contexto que ela aplicou ao texto. Porém, eu acho que é tão óbvio perceber a diferença entre cortejo, galanteio, cantada, xaveco e assédio moral e sexual, que só posso concluir que Danuza nunca passou pela pior experiência para compreender o que o pessoal em Hollywood está tentando combater.

Então, para ajudar a Danuza Leão e outras pessoas que estão na dúvida do que é xaveco e do que é assédio, vamos colocar algumas situações que diferenciam um tema do outro. Lembrando que esse post vem da ótica masculina da questão, e algumas mulheres mais lesadas mentalmente (aka Feminazis) ainda podem achar algumas posturas como assédio.

Para elas, só lamento.

 

Em linhas gerais, cantada, xaveco, galanteio e derivados é qualquer coisa que eleve a auto estima da mulher, valorizando seus atributos, sejam eles físicos ou psicológicos.

Dizer que uma mulher tem um sorriso bonito, que ela é linda, simpática… isso NÃO É ASSÉDIO SEXUAL, E NUNCA FOI! Mulheres merecem ser elogiadas pelos seus traços mais marcantes, ou por aqueles traços que mais se destacam à primeira vista, ou ao longo da convivência com alguém. Isso é tão normal, que acho imbecil quando uma mulher encara isso como algo ofensivo.

Porém, tem um detalhe que alguns homens se esquecem: o cuidado com a abordagem.

Eu sempre preferi adotar a estratégia de fortalecer uma amizade antes de qualquer outro relacionamento mais sério. Ou menos sério também, porque algumas vezes era só sexo o que as duas pessoas queriam. Mas, de qualquer forma, se um relacionamento mais profundo não vingasse, pelo menos restaria a amizade entre os dois.

Começar com uma amizade é sempre a melhor estratégia, mas é fundamental ter o bom senso de simplesmente não colocar tudo a perder com a abordagem. Apresentar o melhor de si para a pessoa e enaltecer o melhor daquela mulher de forma sincera e honesta é algo muito mais construtivo do que simplesmente chamar aquela mulher de “gostosa”. Até porque mulher não é comida.

Se parar para pensar, é a mulher que come o homem.

Outro detalhe importante: só se aborda uma mulher de forma mais íntima ou pessoal quando você tem uma certa intimidade com essa mulher e, principalmente, quando ela oferece abertura e interesse de receber essa abordagem. É uma questão de timing ou percepção que nem todo homem consegue ter.

De certo modo, concordo com Danuza Leão. Mulher inteligente gosta de se sentir valorizada, elogiada. Mulher inteligente gosta de se sentir desejada. De novo: elogiar uma mulher é algo que eleva a auto estima, mas não é assédio.

E, mesmo assim, ainda existe a possibilidade da cantada ser ruim, infeliz ou inapropriada. Mais uma vez, lembro que tudo é uma questão de abordagem, e como essa abordagem é recebida.

Entendo que qualquer atitude mais íntima com uma mulher deve ter o CONSENTIMENTO da própria mulher para acontecer. Como em qualquer coisa nesse mundo. Você precisa conquistar o direito de ter uma postura mais íntima, ou ter o ato sexual com uma mulher. De novo, beira o óbvio eu escrever isso, mas é importante deixar bem claro. Se uma mulher quer transar com um homem, pronto: não é mais assédio, mas sim, sexo consensual. E isso fica bem claro para os dois lados.

Agora, o que as mulheres de Hollywood estão combatendo é algo bem diferente.

É algo nojento. Violento. Estúpido.

Assédio moral e sexual é forçar uma mulher a fazer aquilo que não quer, ou a passar por uma abordagem que a rebaixa para uma condição de submissão, principalmente quando vem de um homem que acredita que sua posição de poder automaticamente o permite a ter sexo com qualquer mulher, independente do fato dela querer ou não ter sexo com esse homem.

Exemplos para Danuza Leão, Feminazis e mulheres que estão em dúvida entenderem:

– Harvey Weinstein encurralou mulheres em quartos de hotel, intimidou atrizes e ameaçou acabar com carreiras de mulheres se as suas tentativas de sexo à força com essas mulheres viessem à tona.
– Kevin Spacey molestou fisicamente menores de idade, exibiu o pênis para bartenders sugerindo o sexo oral, e assediou vários profissionais de bastidores em suas produções.
– Louis C.K. exibiu o pênis para comediantes mulheres iniciantes, e entendia que podia fazer isso porque “perguntava antes se podia fazer” (e fazia sem receber resposta alguma).
– Donald Trump admitir que tem “carta livre” para tocar em vaginas, mesmo que as mulheres não queiram porque, para ele, “as mulheres sempre querem porque ele tem uma posição de poder”.
– Ejacular em uma mulher dentro de um transporte público (sem falar que isso é atentado violento ao pudor).

Eu não sei vocês, mas as diferenças entre os dois temas são tão grandes, que insisto que é difícil para mim compreender o que Danuza Leão não está entendendo.

O que as mulheres de Hollywood está defendendo é, basicamente, o direito das mulheres serem livres para serem indivíduos, e não seres submissos. Defendem até mesmo o direito de explorarem sua sexualidade sem serem tratadas como objeto. Defendem a igualdade de gênero também na forma em como são vistas como mulheres.

Nada justifica essa história de posição de poder dos homens para tratar as mulheres como objeto sexual. Como um pedaço de carne e nada mais. Nada justifica violentar física e psicologicamente um ser que já tem uma condição inferior pela própria situação, ameaçando destruir carreiras para que um crime permaneça em silêncio.

É claro que algumas injustiças vão acontecer. É claro que vai ter mulheres com caráter mais fraco a ponto de acabar com as carreiras de inocentes, por recalque ou vingança pura e simples. Até porque caráter não está associado ao sexo da pessoa.

Sim, vamos ter perdas injustas. E todos nós, como sociedade, vamos ter que assumir os riscos. Ou entender que cada um é capaz de se defender por si.

Por outro lado, o que está acontecendo em Hollywood é algo muito mais sério do que cantadas pontuais. É uma cultura de violência sexual e submissão que dura décadas, onde só agora as mulheres estão levantando sua voz. E eu tenho certeza absoluta que qualquer mulher inteligente quer sim ter os direitos iguais nesse aspecto. Tenho certeza que toda mulher quer ser vista como mulher, por dentro e por fora.

Tenho certeza que as atrizes de Hollywood querem ser valorizadas principalmente pela sua capacidade de atuação.

Acho que consegui me fazer entender. Acho que Danuza Leão vai me entender.

Me dou o direito de falar sobre o tema sob a minha ótica, pelo conhecimento de causa. Sou homem, amo sexo, faço sempre que posso. Me orgulho de dizer que todas as mulheres que levei para a cama foram CONQUISTADAS por mim. Entendi que o órgão sexual mais poderoso que existe é mesmo o cérebro, e saber destacar as virtudes de uma mulher é algo fundamental.

E eu nunca fui acusado de assédio moral ou sexual!

Então… o problema vai um pouco além de um pedreiro chamar uma mulher de “gostosa” quando ela passa na rua.

Simples assim.