Bruce Willis é, indiscutivelmente, um astro. Alguns filmes só emplacaram porque ele estava no elenco. Mas nos últimos anos, sua carreira entrou em (igualmente indiscutível) decadência, que o levou a fazer Desejo de Matar (Death Wish, 2018).

Atenção: esse não é mais um filme da franquia Duro de Matar, mas sim um reboot de um filme de 1974, cujo protagonista era Charles Bronson. O resultado não é de todo ruim, mas é muito longe de oferecer algo memorável entre os filmes de vingança.

A história é aquela que todo mundo já conhece. A única coisa que poderiam mudar um poco é o foco, mostrando o protagonista como um herói à margem da lei, ou de um monstro sedento por sangue. O normal é posicioná-lo entre as duas opções, mas Desejo de Matar optou pelo segundo caminho.

 

 

O roteiro de Joe Carnahan sofreu muitas modificações, com o objetivo de aproximar a história para algo mais convencional, com um protagonista que perdeu toda a sua humanidade para ser um homem de família que quer fazer justiça com suas próprias mãos, depois que perdeu sua mulher e sua filha.

Porém, Desejo de Matar vai limitando o seu interesse em dois detalhes concretos: o carisma de Bruce Willis e a capacidade de Eli Roth de desenvolver um personagem que brilha em momentos diferentes. As duas coisas estavam no filme, mas em um nível muito abaixo para transformar esse filme em um bom entretenimento.

 

 

A atitude de Willis como herói de ação o torna quase irresistível em um universo de personagens planos e redundantes. E até aí dá pra perceber o desgaste de sua imagem, onde ele só se destaca em momentos pontuais.

Do mais, Willis não fica muito longe de ser mais um cara que quer se vingar das pessoas, sem se diferenciar em nada. Tudo bem que ele tem contra ele um roteiro que não define sua personalidade, mas ele poderia por si assumir o controle. Bom, pelo menos ele não foi preguiçoso a ponto de ter uma atuação que só justificasse o cheque que ele ia receber.

Já Roth consegue se resolver bem nas cenas de ação, com uma guinada pessoal com a aparição ocasional de cenas mais violentas, com pitadas do seu passado no cinema de terror. Aqui, Desejo de Matar deixa a sua rotina de não saber delimitar o tom do filme que quer contar.

 

 

No final, Desejo de Matar só pesca elementos de thrillers dos anos 70, que foram abandonados rapidamente para explorar os detalhes mais comerciais. Os toques de realidade foram abandonados para um tratamento monótono da vingança, algo que fica bem visível nos diálogos dos personagens.

Por fim, temos mais um filme com a temática de vingança, que não tem nada de especial. Willis se esforça um pouco mais do que o que faz de forma mais recente, e Roth mostra certa eficácia nas cenas de ação.

O problema é que o filme não vai além disso, e todo o resto fracassa.