Poucas acusações do movimento #MeToo causaram tanta comoção como aquelas feitas contra o ator Morgan Freeman, por conta de todo o respeito que ele conquistou em Hollywood. Em maio de 2018, o seu prestígio foi colocado em xeque quando ele foi alvo de várias acusações que funcionaram como caixa de ressonância a partir de uma primeira denúncia feita pela jornalista da CNN, Chloe Melas.

Melas iniciou uma investigação ao afirmar que ela foi assediada pelo ator enquanto estava grávida de seis meses durante o junket do filme Despedida em Grande Estilo, onde Freeman estava acompanhado dos seus colegas de elenco Alan Arkin e Michael Caine. Ela afirma que estendeu a mão para o ator como um cumprimento, e ele fez declarações inadequadas como “oxalá eu estivesse aí” ou “você está em ponto de bala”.

As acusações foram apoiadas por 15 pessoas (16 contando Melas), 14 delas anônimas, que descreveram uma atitude similar do ator em diferentes filmagens e eventos de imprensa. A CNN divulgou tudo em uma investigação que não foi desmentida pelo ator, que na época pediu desculpas para qualquer mulher que se viu incomodada pelo seu comportamento, mas negou o assédio em si.

A primeira consequência imediata para Freeman foi o cancelamento de um contrato para um anúncio comercial com a VISA.

 

 

Mas aconteceu um plot twist em termos de credibilidade. Um artigo publicado no portal Red Ética chamado “Veio a luz uma fraude jornalística: Morgan Freeman e a CNN“. Nele, o escritor Tomoo Terada afirma que o motivo de nenhuma ação legal cair nas costas de Freeman (como aconteceu com Harvey Weinstein) é porque as acusações nada mais foram do que “uma fraude de uma matéria racista da CNN”.

Por isso, todas as fontes foram anônimas (dando a entender que a maioria foram inventadas), com exceção de duas mulheres: a própria Chloe Melas e Tyra Martin, produtora do programa WGN TV News, que se desvinculou imediatamente de tudo o que foi dito na matéria da CNN, acusando o canal de distorcer as suas declarações.

No artigo, Tomoo revela que, em partes, o vídeo com a entrevista e os comentários inapropriados de Freeman estava editada para parecer que o comentário “oxalá eu estivesse aí”, o único registrado pelas câmeras, se referisse à jornalista, quando na verdade Freeman falava do desejo de estar em uma história contada por Michael Caine naquele momento.

 

 

Por outro lado, a matéria revela algumas das tais fontes anônimas. Duas delas desmentiram o artigo da CNN. Uma delas era a jornalista belga Kristien Morato, que declarou que a rede norte-americana manipulou as suas palavras. A outra é a assistente do diretor Christopher T. Sadler, que afirmou em um post na sua conta do Facebook (apagada posteriormente, mas eternizada através da mágica do print screen) que sua declarações foram manipuladas quando não diretamente inventadas, e que estava claro o caráter racista de Melas, embarcada em uma “vingança pessoal”.

A única coisa certa é que o nome de Morgan Freeman e toda essa situação segue no ar. Parecem haver provas fidedignas contra as acusações de Melas, mas por enquanto nem ela, nem a CNN (que se for uma rede responsável já iniciou uma investigação para esclarecer o assunto) emitiram declarações oficiais sobre o assunto.