David Fincher é um nome respeitado no cinema. Logo, o que ele tem a dizer é (em teoria) de interesse de todos.

Para promover Mindhunter (série onde é produtor e diretor), Fincher concedeu uma série de entrevistas, com comentários muito interessantes. Um deles se aprofunda na questão do problema do cinema atual.

Para Fincher, “não há tempo para os personagens nos filmes”, e alega que tudo agora é desculpa para salvar o mundo da destruição, sem refletir sobre o porquê daquilo tudo.

Até mesmo nas obras que ele comanda isso está acontecendo, chegando a citar cenas de Mindhunter para ilustrar o seu ponto de vista.

Talvez Fincher esteja generalizando demais a questão, mas ele não deixa de ter uma certa dose de razão. A maior parte do cinema em Hollywood descuida dos seus personagens e centra mais no espetáculo e na ação. O que é, de fato, bem chato, porque todo mundo sabe que, no final, o mundo é salvo. No final das contas, nada de personagens. Apenas atores correndo, lutando e soltando frases típicas de filmes de ação.

Em Mindhunter, Fincher quer uma série onde “tudo é personagem”, onde eles revelam detalhes pessoais e opiniões, preocupações e interesses, oferecendo informações para a audiência. É claro que, para tudo isso dar certo, é necessário um bom roteiro, um bom elenco e realizadores que saibam contar essas histórias a partir do diálogo.

Não é uma tarefa fácil, mas é aqui que Fincher se diferencia dos demais.

O diretor também expressou o seu pessimismo com a indústria do cinema, mas afirma que há executivos que ainda tntam fazer bons filmes.

Nesse aspecto, Fincher não acredita que o cinema está morto, mas entende que a salvação da lavoura aqui responde pelo nome Netflix. Entende que o cinema se transformou em um evento social, com um monte de gente que se encontra para passar horas agradáveis.

Nesse aspecto, ele entende que a Netflix é quem se arrisca mais para construir uma ponte entre o cinema e a TV. Um refúgio seguro para o drama adulto, que foi sumariamente excluído das salas de cinema.