Diretora Ava DuVernay e Jharrel Jerome nos bastidores de “Olhos que Condenam” (Foto: Netflix)

Depois do estrondoso sucesso de Olhos que Condenam, a Netflix disponibilizou uma entrevista de Oprah Winfrey com a responsável pela série, a diretora Ava Duvernay, alguns atores (os principais) e também com os hoje homens adultos que foram acusados há 30 anos por um crime que não cometeram.

Assim como na série de cinco episódios, é difícil conter as lágrimas ao ouvir os relatos, afinal, estamos ouvindo diretamente da boca deles sobre a triste história de cinco jovens que perderam parte de sua vida por confissões de culpa que foram obrigados a fazer, e por isso acabaram presos, mesmo com a inexistência de provas. Nem na meia encontrada no local do crime havia evidência de que o esperma contido ali era dos rapazes.

Durante o bate-papo, Oprah elogiou especialmente Jharrel Jerome, que viveu espetacularmente duas fases de Korey Wise, na adolescência e início da vida adulta. Korey foi detido após aceitar ir à delegacia acompanhar um amigo, acusado pelo crime. Acabou condenado junto com eles, e pior, passou mais anos na cadeia e sofreu as consequências de uma acusação que presos não perdoam: foi muito maltratado e quase morreu após uma surra severa.

E Jharrel realmente mereceu esses elogios. Sua sensibilidade para um trabalho tão intenso foi evidenciada na entrevista. Ele chorava descontroladamente ao ouvir os personagens reais da história dando mais detalhes sobre o tempo em que ficaram presos.

Outro momento de muita emoção, acontece quando Anton McCray revela que não perdoou seu pai, que o forçou a assumir o crime. Pior: falou que o odeia. Ou a triste afirmação de que tudo o que Korey passou na prisão foi além do retratado no vídeo, e por ser muito pesado preferiram amenizar (mas sabemos que as cenas já não são nada amenas).

Oprah Winfrey é uma das produtoras de Olhos que Condenam, daí a entrevista. A pressa da Netflix em colocar o material no ar depois do sucesso do seriado, culminou em reclamações em razão da disponibilidade apenas em inglês, inclusive as legendas. Mas para quem optar por esperar a liberação em português ou para os que são fluentes na língua, vale se aprofundar e saber um pouco mais sobre essa história. Nos torna mais humanos, estimula a olhar um pouco mais para o outro.

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