É de se pensar.

10 anos depois da estreia da saga Crepúsculo nos cinemas, é importante fazer uma reflexão sobre como esse fenômeno afetou as nossas vidas. Sim, pois ninguém passou imune à febre dos vampiros que brilham no sol, lobos que ficam sem camisa mesmo no inverno porque tem o corpo muito quente (contrariando uma regra básica da fisiologia humana – vá estudar e descubra), e uma menina chata que sai do nada para ser uma vampirona fodona.

Desculpe se eu irritei você, fã incondicional da saga Crepúsculo. Quem me conhece sabe que eu não vou com a cara dessa história. Mas uma vez que até o Robert Pattinson estava de saco cheio de interpretar Edward, eu me vejo no direito legal de zoar até o fim dos meus dias esses filmes.

Mas eu estou aqui para falar das consequências.

E, de verdade: uma coisa positiva que Crepúsculo deixou ao mundo foram três atores bons. Falo isso com o coração aberto, e não apenas por admirar a sinceridade de Pattinson. Kristen Stewart é uma baita atriz, e foi muito subestimada na época por interpretar uma personagem insossa e sem conteúdo algum. E Taylor Lautner foi além de ser o cara que tira a camisa o tempo todo.

Sem falar nos outros nomes que passaram pela franquia, e que as pessoas aprenderam a amar: Nikki Reed, Anna Kendrick, Peter Facinelli, entre outros.

Mas Crepúsculo também deixou uma grande maldição: a franquia Fifty Shades of Grey (no Brasil, Cinquenta Tons de Cinza).

Fez com que E. L. James pegasse o seu smartphone BlackBerry e escrevesse boa parte dos contos eróticos/sadomasoquistas pervertidos e doentios para adolescentes (sério, isso realmente aconteceu), mas acertasse nas coroas com casamentos infelizes, que ficaram doidas com o fato do Sr. Christian Grey querer bater na vazia Anastasia Steele porque ela lembrava a mãe dele (gente, vai entender vocês, né?)

Ter que aguentar três filmes de Cinquenta Tons de Cinza pela obrigação profissional foi o maior castigo que Crepúsculo me deixou. Até porque quando a franquia dos vampiros e lobos estreou em 2008, o SpinOff.com.br não existia, e eu não me via na obrigação de acompanhar essa palhaçada.

Mas uma coisa é inegável: Crepúsculo virou ícone de cultura pop.

Não só por causa das piadas que fizemos. Conquistou uma geração que estava consumindo leitura com maior avidez (não vamos discutir a qualidade literária, e vamos nos prender ao fato que os jovens estavam lendo, algo que era bem difícil com a internet bombando), e que viram o seu gosto literário representado nos cinemas.

Com (muitos) erros e (alguns) acertos, a saga Crepúsculo é um case de sucesso, tanto na literatura global quanto nos cinemas. O seu décimo aniversário do primeiro filme nos ensina que nem tudo precisa ser ‘Sociedade dos Poetas Mortos’ ou ‘Tempo de Despertar’. Histórias com apelo popular funcionam em Hollywood, e o que essa indústria mais deseja nesse momento é que as pessoas lotem as salas de cinema, por qualquer motivo.

Mas que eu vou zoar Crepúsculo até a minha morte, isso é fato. Não vou descansar!