Para assistir Como Treinar o Seu Dragão 3 e escrever sobre ele com propriedade e isenção, eu me condicionei a assistir aos dois primeiros filmes da trilogia da DreamWorks. Nesse post, eu vou comentar sobre o filme que inicia essa trilogia, Como Treinar o Seu Dragão, e confesso que fui assistir ao longa com dois pés atrás.

Afinal de contas, é uma história infantil, e eu tinha medo de não ser o tipo de filme para a minha idade. De fato, não é. Mas estou cada vez mais me acostumando com a teoria de que as minhas expectativas devem ficar no zero para os filmes que eu não vou muito com a cara, para que eu consiga extrair alguma coisa boa dessas histórias.

E Como Treinar o Seu Dragão mostra que essa estratégia de não esperar nada de um filme funciona muito bem.

É o tipo de filme que você precisa entrar no mundo da fantasia para comprar a história. Aceitar que uma comunidade viking tem como principal passatempo matar dragões (até mesmo pela própria sobrevivência) e que, pelo menos na teoria lógica e racional, os dragões poderiam aniquilar os humanos com relativa facilidade.

Mas sem o elemento de heroísmo, essa história não existe.

O nosso protagonista Soluço (Jay Baruchel) descobre sozinho (e sem a ajuda de ninguém ou de nenhum episódio de Game of Thrones) que possui a capacidade de adestrar dragões. Mesmo sendo um aluno cuja escola ensina a matá-los, ele absorve todas as informações bélicas dos seus instrutores, e combina com os conhecimentos práticos adquiridos ao adestrar o perigoso drago Fúria da Noite, que acaba se tornando o seu mais novo amigo.

A história se desenvolve mostrando a amizade clandestina dos dois, até o momento em que o inevitável acontece: o segredo de Soluço é descoberto, o seu pai se revolta e planeja uma guerra contra os dragões (que é praticamente um pedido ao suicídio coletivo) e nosso jovem viking adestrador é peça fundamental para a solução do conflito.

É como eu disse: eu não esperava absolutamente nada de Como Treinar o Seu Dragão, e o filme me surpreende positivamente.

 

 

Não estou querendo aqui dizer que esta é a melhor animação que você poderia ver em 2010. Mas é um filme que vende tão bem a proposta do lúdico, que você acaba se convencendo de que vale a pena acompanhar aquela aventura.

As subtramas deixam lições interessantes, como a necessidade de você se encher de coragem na vida para fazer a coisa certa e defender quem precisa ser protegido, o entendimento que espécies diferentes podem conviver em harmonia e não em destruição mútua, e até mesmo o recado quase subliminar em proteger os animais das mãos dos próprios homens.

O roteiro é fácil e descomplicado, onde qualquer criança consegue acompanhar bem os acontecimentos, e os mais atentos vão logo sacar o grande plot twist do filme. É uma história relativamente previsível, mas que não deixa a narrativa tão maçante quanto se pode imaginar. Os pais não vão sofrer no cinema ao conferir uma história que poderia ser mais vazia do que sugere ser.

E por isso Como Treinar o Seu Dragão vale a pena. Porque, mesmo sendo uma animação com história voltada para os públicos infantil e infanto-juvenil, o filme não tenta ser uma completa perda de tempo para os adultos. É uma história leve, divertida e lúdica, mas que agrada a aqueles que querem olhar para algo além da proposta superficial da história.

Sem falar que o elenco desse filme é simplesmente excelente: Jay Baruchel, Gerard Butler (como eles conseguiram esse cara?), Craig Fergusson, America Ferrera, Jonah Hill, T.J. Miller, Kristen Wiig e David Tenant. Esse elenco é um ótimo argumento para você dar uma chance para esse filme.

Como Treinar o Seu Dragão é um ótimo filme e altamente recomendado para pais e filhos assistirem juntos. É uma boa forma de começar uma trilogia lúdica que entrega lições subliminares que, quando bem assimiladas pelas crianças, podem plantar sementes para a vida toda.

Sem falar que tem um saldo positivo quando você não espera nada dele. Fica a dica.