Como Treinar o Seu Dragão 2 é a continuação de um filme que eu mesmo disse que não esperava (quase) nada, mas me surpreendeu positivamente por ser uma proposta equilibrada, com uma boa mensagem de fundo e tecnicamente bem feita nos seus aspectos técnicos. E, felizmente, o segundo filme consegue ser equilibrado nesse aspecto.

O filme acontece cinco anos depois dos acontecimentos da primeira história, mostrando a evolução daquela comunidade onde humanos e dragões conseguem conviver e prosperar juntos, em plena harmonia. Mostra também uma maturidade dos personagens principais, que agora estão na adolescência, e precisam lidar com problemas mais sérios e desafios maiores para manter a ordem estabelecida nessa nova realidade.

Mas não há paz que perdure por muito tempo no mundo da fantasia. Quando um tirano que usa um exército de dragões para manter os seu povo sob o seu domínio implacável, Soluço e seus amigos entram em ação para tentar salvar aos indefesos (humanos e dragões). E diante de tamanho desafio, nosso herói acaba descobrindo mais sobre o seu passado e o seu futuro do que ele poderia imaginar.

Como Treinar o Seu Dragão 2 é um filme onde a palavra de ordem é “transição”. Soluço deixa de ser apenas o jovem que não se entende com o pai para se tornar o grande líder de seu povo, algo que era o seu destino. Essa transição pode ser tranquila ou traumática, dependendo das escolhas dos envolvidos, e do nível de maturidade que você tem para encarar essa missão.

Soluço também precisa aprender a se virar sem o seu dragão tão amado. Afinal de contas, amigos também podem se separar pela influência de terceiros, e você precisa aprender a lidar com isso sem muitos traumas. A boa notícia é que a amizade verdadeira sempre prevalece. Basta fazer com que o outro ouça você com o coração.

Uma subtrama interessante de Como Treinar o Seu Dragão 2 é a narrativa de fundo que mostra o grande vilão da história como um tirano opressor declarado, que se vale do sistema (nesse caso, os dragões) para manter o povo sob o seu domínio. Algo sutil e que é explorado em tela por pouco tempo, mas é um recado claro em como isso funciona. É bom a criançada aprender sobre isso o mais cedo possível, até mesmo para tentar mudar as coisas no futuro.

 

 

É um filme que consegue empatar com o primeiro em sua empatia e carisma, mas também é aquele filme claramente voltado para o público infantil e infanto-juvenil. O mundo de fantasia que a história propõe é para cativar crianças e pré-adolescentes se apresenta de forma competente, e atinge os seus objetivos sem precisar forçar a barra.

Tecnicamente, Como Treinar o Seu Dragão 2 é um filme superior. As técnicas de animação estão melhores e mais avançadas, e o resultado final do longa é bem interessante. São gráficos cheios de detalhes, em uma proposta muito imersiva. É um filme que enche os olhos visualmente falando.

A narrativa é, mais uma vez, fácil e descomplicada. Talvez o grande momento do filme está no plot twist que marca o destino de Soluço como líder de sua comunidade. Ao mesmo tempo, a ideia de não deixá-lo sozinho e sem referência adulta (ou melhor, com uma referência muito mais próxima de sua personalidade) é algo bem vindo, e mesmo em um filme com final um tanto quanto óbvio, é interessante ver como as soluções foram propostas pelos roteiristas.

Por fim, o elenco igualmente ótimo do primeiro filme recebe as bem vindas adições de Cate Blanchett e Kit Hartingon. Com certeza esses dois nomes chamaram a atenção de muita gente que foi aos cinemas para ver o longa.

Como Treinar o Seu Dragão 2 é um filme tão equilibrado e competente que o primeiro filme. É mais um bom trabalho da DreamWorks, que entrega uma história que consegue convencer e envolver na medida certa, entregando um bom produto final de entretenimento para as novas gerações. É mais um filme que eu recomendo para ser visto por crianças de todas as idades.

E, com isso, eu estou pronto para ver o terceiro filme da franquia nos cinemas.