A fusão entre AT&T e Time Warner afeta mais a nossa vida do que a gente imaginava. Afinal de contas, temos uma mega empresa doida para ver o fim da neutralidade da rede, já que é um conglomerado que é dono de, entre outras coisas, Warner, HBO, AT&T, DirecTV, entre outras.

Hoje, o mundo do entretenimento é comandado pelo streaming, algo que essa nova fusão menos quer. Pois… quem vai assistir as séries que não estão na internet? O que será da TV tradicional sem os horários comerciais programados por eles?

Esse post faz uma reflexão breve e precisa sobre esse novo momento, tentando identificar o que foi que mudou depois que o streaming tomou conta do negócio, roubando o espaço da TV que, convenhamos parou no tempo.

O primeiro efeito desse novo momento da TV é o fim do horário comercial como conhecemos. Apesar dos canais tradicionais focarem na publicidade e no público alvo dos anunciantes (conhecido como faixa demográfica ou demo 18-49 anos), o streaming fez com que as pessoas não mais fossem incomodadas com as propagandas.

Hoje, as séries apelam para o chamado “product placement”, onde os anunciantes se inserem nos enredos dos episódios para posicionar as marcas dentro da narrativa.

Além disso, os serviços de streaming mudaram o comportamento do espectador também no que se refere em como vamos assistir aos conteúdos. Não falo apenas no lançamento de todos os episódios da temporada em um único dia, mas especialmente no detalhe das pessoas não mais assistirem aos comerciais, seja saltando nos DVRs ou justamente por não encará-los nas plataformas de streaming.

Resultado: as maiores audiências da TV hoje estão nos eventos ao vivo, mais especificamente nos esportivos. Mais especificamente, no futebol americano. Pois só aqui o norte-americano médio se vê obrigado a assistir comerciais.

 

 

Além disso, a unilateralidade das séries é uma das culpadas pela queda de audiência televisiva. Os realitys sempre ganharam força por conta de uma eventual interatividade (Survivor, The Amazing Race, Top Chef, MasterChef e derivados não contam com isso, mas tem forte apelo nas redes sociais por serem realitys), e os casos de The Voice e American Idol são provas do que eu estou falando.

Séries roteirizadas não permitem esse vínculo da audiência com os acontecimentos da obra. Até porque é um formato fechado. Nesse caso, de novo o streaming é decisivo, pois ao menos você pode escolher quantos episódios quer assistir de uma vez, diferente do que vemos na TV tradicional, com um episódio por semana.

Outro fator importante é a baixa qualidade das séries da TV aberta norte-americana. Quando reboots, revivals e remakes são campeões de audiência (como foi o caso de Roseanne na temporada passada), temos mais uma prova clara sobre como a criatividade morreu de vez na TV norte-americana, com formatos engessados e poucas coisas realmente inovadoras. A Netflix ensinou ao mundo que a qualidade de conteúdo é tudo nesse negócio, e a prova disso está nos recentes contratos fechados com Ryan Murphy e Shonda Rhimes.

 

 

Os dois com certeza agregam valor à plataforma de streaming, pois vão oferecer séries exclusivas, com as suas assinaturas. Os demais envolvidos nesse negócio terão que entender que vão obrigatoriamente precisar investir em novas histórias. E histórias de qualidade para atrair esse novo e exigente público televisivo.

Por fim, já que tudo mudou no mundo da TV, é fundamental que novos competidores apareçam. Está complicada essa história de tudo ficar concentrado em AT&T/Warner, Disney e Comcast. São três grupos muito poderosos, que podem engessar o processo de desenvolvimento televisivo apenas pela defesa dos formatos originais. Por incrível que pareça, quem não vai embarcar nessa filosofia de mercado é justamente a Disney, aquela que é acusada de ser a rainha do monopólio. Mas que vai para a briga com uma plataforma própria de streaming, agregando o seu valioso conteúdo nela.

Enfim, tudo tem o seu lado bom e ruim. Mas temos que nos adaptar aos novos tempos.