En 2002, eram 182 séries próprias produzidas pelas redes de TV dos EUA. Em 2018, foram 495 séries próprias. E os número só vão aumentar por causa das plataformas digitais, que foram as que mais entregaram produções próprias em seus catálogos.

O relatório anual do FX (que é defensor que o modelo atual não é sustentável) mostra que os serviços online acumularam em 2018 nada menos que 160 séries próprias ou “originais” (ou seja, com direitos de transmissão exclusiva), superando os canais abertos (146), os canais básicos de cabo (144) e os canais de cabo premium (45).

É a primeira vez que as plataformas de streaming superam os canais abertos no número de produções. Há mais séries do que nunca antes visto, mas serviços como Netflix e Amazon estão reunindo um catálogo considerável de séries exclusivas.

 

 

São serviços digitais e globais

 

 

O fato das plataformas de streaming serem digitais e globais dificulta e muito a aquisição de conteúdos por parte das redes de TV aberta ou empresas nacionais.

Em 2002, um canal de TV tinha livre acesso a boa parte das 182 séries originais exibidas nos EUA. Isso hoje mudou por dois motivos: 1) temos mais séries para as plataformas digitais, que contam com um alcance global e indisponíveis para compra de direitos regionais, e 2) o streaming é concorrência direta na hora de adquirir conteúdos, e já largam com vantagem. Afinal de contas, Netflix e Amazon podem exibir no mundo todo uma série que é comprada uma única vez, enquanto que os canais regionais precisam negociar de forma mais complexa os direitos de exibição daquela série.

Assim, fica mais difícil para os canais de TV dos demais países adquirirem novas e boas séries, e as parcerias com o serviços de streaming com as operadoras serão mais frequentes.

Se não se pode vencê-los, junte-se a eles.

E é só o começo. Três novos serviços on-demand chegarão ao mercado nos próximos anos, e vão mudar ainda mais o cenário: Warner/AT&T (que tem a HBO), Disney+ e Apple vão lançar as suas plataformas em breve.

E isso fará com que o futuro seja cada vez mais das plataformas digitais. Para a alegria de muitos, e desespero da minoria.

 

Via Deadline