Desde a sua confirmação no final do ano passado, a Disney+ se tornou o assunto da indústria do entretenimento. Todos aguardam pelo próximo movimento da maior empresa de entretenimento do mundo, que já confirmou que o serviço de streaming estreia antes do final de 2019.

 

 

Uma questão de pressa

Bob Iger, presidente da Disney desde 2000, se referiu à plataforma repetidamente como a “principal prioridade” da Walt Disney Co. A Disney redesenhou suas operações e reorganizou suas fileiras e gerentes para se preparar para o seu novo serviço de streaming. A gigante da mídia de Burbank fez grandes investimentos em infra-estrutura técnica, sem falar na aquisição da Fox, algo que chocou o mundo.

Com esses pontos fechados, o foco agora é na pressão que poderia se acumular na Disney para lidar com a força em várias frentes (muito gordas) abertas ao mesmo tempo. Agora, a Disney tem pela frente a tarefa hercúlea de aumentar a produção global, tanto cinematograficamente (com personagens que serão adicionados após a recuperação dos direitos da Fox, bem como os diversos planos da Marvel que já estavam em desenvolvimento), como em um serviço de qualidade doméstica.

Quase nada.

Iger, cujos rumores de que poderia renunciar quando seu contrato expirar em 2021, comprometeu-se a provar que seu império enfrentar ao da Netflix e outros empreendedores ousados ​​que querem dar um golpe letal para a guarda de Hollywood.

 

 

Uma questão de volume

As perguntas sobre como gerenciar a transição de seus modelos de distribuição tradicional para o campo de batalha dos serviços de streaming são inúmeras, e a Disney programou uma apresentação especial sobre o assunto para o próximo dia 11 de abril. A empresa também espera realizar uma demonstração do serviço e um preview de algumas das produções que estarão nele.

Economicamente, a Disney vai dar foco para três pontos essenciais para os seus investidores: quanto gastar no conteúdo, quanto de receita será perdida com as licenças tradicionais para manter um streaming de conteúdo superior e quanto tempo vai levar para obter um retorno econômico. Além disso, a Disney+ contará com um investimento muito maior (logicamente) do que os títulos com os quais ela poderia comercializar em outros serviços.

No nível logístico, dois nomes se destacam com grandes responsabilidades. Ricky Strauss, que passou os últimos seis anos como diretor de marketing da Disney, foi nomeado presidente de conteúdo e marketing do Disney+. E Agnes Chu, vice-presidente executiva de franquia e desenvolvimento de histórias da Disney, foi escolhida para supervisionar o conteúdo do serviço. Chu foi diretora de programação da ABC.

Strauss e Chu são executivos de sucesso, respeitados dentro e fora da Disney, mas nenhum deles tem experiência em gerenciar produções de alto nível. Strauss trabalhou como gerente de produção da Participant Media antes da Disney, enquanto que Chu estava em produção documental antes de ingressar na Disney em 2008 para desenvolver conteúdos digitais.

 

 

Na próxima terça-feira, 5 de fevereiro, a Disney vai revelar as suas finanças pela primeira vez. No início deste mês, a Disney revelou que a unidade registrou uma perda nos primeiros nove meses de 2018, com US$ 738 milhões em receita operacional, com pouco mais de US$ 3 bilhões de investimento previsto.

De acordo com Steven Cahall, analista sênior de mídia da RBC Capital Markets, a Disney está diante de enormes desafios, e estima que a empresa vai dedicar cerca de US$ 500 milhões para programação original do Disney+ ao longo de 2019. “A Disney gasta mais em conteúdo do que qualquer outra no mundo, tem décadas de experiência na criação de conteúdo, um enorme equilíbrio e é uma marca conhecida em todo o planeta”, afirma.

A Disney é também a maior investidora entre os gigantes em termos de conteúdo, com uma projeção de quase US$ 24 bilhões até 2019, ou US$ 16 bilhões se excluirmos as propriedades relacionadas ao esporte. O gasto total da Disney representa quase um quarto de 22% dos US$ 107 bilhões em despesas de conteúdo global que são adicionadas pelas maiores empresas de mídia. A AT&T e a Netflix estão em seguida na lista com US$ 14,3 bilhões e US$ 14 bilhões, respectivamente, segundo a RBC.

 

 

Uma questão de programação

Por outro lado, Iger foi desenhando planos para projetos importantes, como ‘The Mandalorian’, a primeira série live action da franquia ‘Star Wars’, e certamente um dos primeiros apelos comerciais para o Disney+.

Embora a Disney declarou que o seu serviço de streaming não vai tentar igualar a Netflix em termos de volume total de conteúdos originais, algumas fontes afirmam que Iger recentemente pressionou a sua equipe para alimentar o desenvolvimento de novas séries e garantir um fluxo constante de novos conteúdos para impulsionar o Disney+ durante os primeiros meses de seu lançamento.

Além disso, a soma da Marvel, Lucasfilm e Pixar, bem como FX, Fox Searchlight ou National Geographic pretende ser uma fonte inesgotável de conteúdo original. Os filmes originais deveriam logicamente ser o outro grande valor agregado da empresa.

 

 

Os primeiros rumores indicaram que o objetivo era encontrar conceitos para filmes com orçamento modesto. Depois, houve rumores de orçamentos entre US$ 20 milhões e US$ 60 milhões. Sean Bailey, presidente de produção de filmes para a Disney Studios, está desempenhando um papel importante na estratégia de filmes, enquanto muitos outros projetos chegam pelo experiente time da Disney Channels Worldwide, com uma experiência de quase infinita no formato de telefilme.

No lado sombrio dessa equação, estamos na espera para ver quais os executivos vão dançar depois do o acordo definitivo da compra da Fox, enquanto o resto da indústria, que terá migalhas para dividir, espera para ver como vai lidar com a Disney e o seu poder de fogo na era do streaming.