Por que eu estou fazendo um review de um filme lançado em 1985?

Simples: porque eu quero produzir conteúdo para esse blog. E conteúdo relevante. Como eu não vou mais ficar publicando hard news no SpinOff.com.br (a não ser que seja uma bomba, pois aí eu vou querer capitalizar), os posts mais autorais e atemporais precisam acontecer. Pelo menos dois ou três por dia. Por isso, uma das alternativas é escrever sobre os filmes e séries que eu vou rever, e comentar sobre esses conteúdos com vocês.

Dito isso, vamos falar de um dos meus filmes preferidos de infância. Uma comédia de ficção científica com várias metáforas sobre a vida e a morte, uma lição de vida para todas as idades e uma linguagem leve e descontraída para ser assistido por qualquer pessoa, a qualquer momento. E eu estou falando de Cocoon.

 

 

O conceito geral do filme é bem interessante. Um grupo de aposentados que vive as suas vidinhas pacatas na Flórida acabam descobrindo uma miraculosa fonte da juventude em forma de uma piscina, que devolve a energia e a vontade de viver que estavam mortas há muito tempo. Porém, não existem milagres. A mesma piscina recebia ovos alienígenas de uma comunidade que retornou à Terra para resgatá-los. E isso naturalmente cria um conflito existencial que deixa várias mensagens para quem está assistindo.

Cocoon entrega metáforas bem interessantes para audiências de qualquer idade. Por exemplo, a condição do idoso no final da vida que, em via de regra, aceita a sua condição que não tem mais nada a fazer na vida a não ser esperar a morte chegar – tá, eu sei que esse era o perfil em 1985, e as vovós de 2019 estão dando um baile nas novinhas, mas tem muita gente ainda parada no tempo, achando que não existem outras alternativas para seguir vivendo bem.

Outro tópico interessante é mostrar que, nessa fase da vida, alguns se tornam mais resistentes ao novo e à novas experiências, ficando totalmente agarradas às tradições. Também mostra a possibilidade de renovação de perspectiva de vida a partir do novo e do desafio pessoal.

Mas a mais importante lição que Cocoon deixa para o espectador é que a vida sempre continua. Mesmo depois que vamos embora.

 

 

Eu entendo que o final do filme é uma metáfora sobre a vida e a morte. Tanto, que a proposta do roteiro é exatamente essa (isso é proposto claramente no final do filme). Mas é possível entender que o fim não é definitivo, onde a vida pode continuar, mas de uma forma diferente daquela que acontecia por aqui. E a prova maior disso é o fato de Cocoon ter uma continuação.

É um filme leve, divertido carismático e emocional. O elenco é excelente, especialmente no caso de Don Ameche, que venceu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em 1986. Aliás, eu não sabia que esse filme venceu o Oscar de Melhores Efeitos Visuais. Para a época, funcionou muito bem, pois quando eu vi o filme pela primeira vez, eu me convenci que tudo o que eu vi realmente aconteceu. Por outro lado, assistindo o filme novamente em 2019, é possível perceber que os efeitos eram datados, com vários elementos em miniatura e montagens em chroma key.

Mas… dê um desconto, tá? Em 1985, funcionou perfeitamente.

 

 

Vale a pena dar uma chance para Cocoon. É o tipo de filme que deixa as lições que você pode guardar para o resto da vida, mas faz isso de uma forma leve, descontraída e divertida. É o filme para você se apegar e levar no seu coração pelo resto da vida.

Particularmente, fazia muito tempo que eu não assitia ao filme, e confesso que senti que algumas coisas ficaram mesmo datadas com o passar do tempo. Mas a fórmula que fez com que o filme funcionasse em 1985 permanece intacta, e terminei o longa tão motivado como eu vi pela primeira vez.

Recomendo aos mais novos que se deixe levar pela história, que é bem cativante. Para os mais velhos, eu recomendo que assista com olhares de nostalgia. É um filme que merece ser assistido com carinho e atenção.

Não vai ser o seu novo Vingadores: Guerra Infinita (ou melhor, não é um Senhor dos Anéis, graças a Deus), mas tem chances de ser o filme que você vai querer adotar e levar para casa. Tal e como você vai querer fazer com essa turma de vovôs e vovós que redescobriram a juventude através de uma piscina energizada por alienígenas.