Claudia Leitte decidiu quebrar o silêncio e abordar as críticas relacionadas à substituição do nome do orixá Iemanjá por Rei Yeshua durante apresentações recentes. O posicionamento da cantora ocorreu durante uma coletiva de imprensa na madrugada desta segunda-feira (30), após sua performance no Festival Virada Salvador 2025, realizado na Arena O Canto da Cidade, na orla da Boca do Rio. A polêmica gerou grande repercussão, levando a artista a ser denunciada ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) por um possível crime de racismo religioso, ocorrido em um show no dia 14 de dezembro.
Durante a coletiva, Claudia Leitte afirmou: “Eu acho que esse assunto é muito sério. Eu, no meu lugar de privilégios, penso que racismo é uma pauta para ser discutida com muita seriedade e não de uma forma superficial”. A música “Caranguejo”, alvo da controvérsia, foi retirada do repertório da apresentação em Salvador. “Eu prezo muito pelo respeito, pela solidariedade, pela integridade. A gente não pode negociar esses valores de jeito nenhum, nem colocar isso dessa maneira, jogado ao tribunal da internet. É isso”, concluiu a artista.
Confira o momento:
@portalibahia Claudia Leitte retirou a música “Cata Caranguejo” do repertório do show na ViradaSalvador após ser denunciada ao MP-BA por suposto racismo religioso, relacionado à substituição do nome de Iemanjá por Yeshua na música. Um dia antes, Claudia cantou a música em Recife. Questionada da polêmica, a cantora afirmou prezar pelo respeito e reconheceu o lugar de privilégio, mas disse que o tema vem sendo tratado de forma superficial. Claudia ainda disse que os valores dela não podem ser colocados à mesa. Reprodução / prefsalvador iBahia ClaudiaLeitte FestivalViradaSalvador CataCaranguejo Polêmica Bolha Salvador
Apesar da decisão de excluir a música no evento em Salvador, Claudia voltou a cantar “Caranguejo” no pré-Réveillon do Recife, no sábado (28), e repetiu a mudança da letra, trocando “saudando a rainha Iemanjá” por “eu canto meu Rei Yeshua“. Vídeos da apresentação viralizaram nas redes sociais, reacendendo o debate. Pedro Tourinho, secretário de Cultura e Turismo de Salvador, criticou publicamente a atitude, recebendo apoio de Ivete Sangalo.
A denúncia ao MP-BA foi protocolada por Jaciara Ribeiro, Iyalorixá e representante do Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro). O órgão está apurando a “responsabilidade civil diante de possível ato de racismo religioso consistente na violação de bem cultural e de direitos das comunidades religiosas de matriz africana”. A investigação foi iniciada pela Promotoria de Justiça de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa.
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