Vamos falar sobre como Steven S. DeKnight deveria ser processado por desvirtuar a visão que Guillermo del Toro adotou em 2013 no primeiro filme dessa franquia. Sim, vamos falar da sequência de um filme bom. Uma continuação que acaba pagando pela maldição. Vamos falar de Círculo de Fogo: A Revolta.

Era muito fácil fazer uma sequência satisfatória do primeiro filme, mesmo que ele não o superasse (algo bem complicado, convenhamos). Bastava contentar os fãs, com uma simples desculpa (por mais vaga que seja) para trazer de volta a ameaça Kaiju à Terra. Uma típica licenca poética combinada com o mínimo de coerência e tudo o que US$ 150 milhões podem oferecer de efeitos visuais.

Porém… não. Nada disso.

 

 

DeKnight e seu time decidiu jogar fora boa parte da essência e conteúdo do universo criado por Del Toro para dar forma a um filme que funciona como um covarde reboot parcial, com aspirações para desenvolver uma franquia, personagens aborrecíveis, plot twists absurdos e tramas incompreensíveis que se abraça, em um roteiro desnecessariamente complexo e cheio de buracos que são maiores que os robôs.

Círculo de Fogo: A Revolta defenestra completamente a mitologia do primeiro filme, com um rastro de incoerências que transformam tudo em uma experiência frustrante. Ou seja, diga adeus a quase tudo o que conhecíamos desse universo, e engula à fórceps todas as mudanças com incredulidade e olhadas para o relógio durante os intermináveis dois primeiros terços do filme.

Se você conseguiu superar vivo o primeiro ato, que padece de excesso de exposição, o filme começa a revelar progressivamente os seus lados positivos, oferecendo sequências de ação em grande escala que, no final das contas, é o grande apelo do filme. Isso faz o filme decolar, com um clímax divertido e espetacular.

 

 

Porém, infelizmente, o filme decola tarde demais. Nem John Boyega, muito bem no seu papel de herói de ação renegado, salva o filme. O que resta agora para os fãs da franquia é rezar com muita força para que Guillermo del Toro volte para o projeto, para fazer um filme que ignore por completo tudo o que Círculo de Fogo: A Revolta conseguiu arruinar.

É um filme que, pelo o que entrega, fica abaixo da média. Abaixo do satisfatório. Cheio de problemas que precisam ser corrigidos. E erros graves. Levando em conta que o primeiro final de semana nas bilheterias não foi lá grande coisa, vai ter que remar um bocado para garantir uma terceira parte.