Qualquer pessoa de bom senso sabe que tanto o livro Cinquenta Tons de Cinza como sua adaptação para o cinema são uma porcaria. Porém, os livros mantiveram o seu público, enquanto que nos cinemas o interesse caiu de forma evidente em Cinquenta Tons Mais escuros.

Cinquenta Tons de Cinza arrecadou US$ 571 milhões nas bilheterias globais, enquanto que Cinquenta Tons Mais escuros ficou nos US$ 381 milhões. Uma queda clara, mas que não impediu que Cinquenta Tons de Liberdade, terceira e última parte da saga, chegasse aos cinemas.

Para as pessoas de bem, é o fim da tortura e nada mais.

Os filmes anteriores estão bem longe de serem bons, mas mostravam uma relativa progressão argumental para acabar no improvável casamento entre Christian e Anastasia. Logo, a opção que restava era colocar uma ameaça para acabar com a felicidade dos dois.

A ameaça no mínimo tinha que trazer algum suspense, mas na hora da verdade é apenas um louco demente sem brilho. Não espere um personagem que se desenvolva ou com planos que vai além de tirar dinheiro do casal ricaço.

Cinquenta Tons de Liberdade evita qualquer tipo de tensão. Tudo acontece de forma muito precipitada, e alguns personagens atuam dessa forma para que tudo avance mais rápido, com resultados ridículos, principalmente na resolução de todo o conflito. É vergonhoso ver como tudo se conecta a uma subtrama pessoal da pior maneira possível.

 

 

Tudo isso relativiza até certo ponto os defeitos dos filmes anteriores, onde tudo se encaixava mais ou menos dentro do que os amantes da franquia poderiam esperar dos filmes. Por um lado, mostram um mais cuidados Christian em oposição à necessidade de Anastasia em ter o seu próprio espaço vital. E isso, que poderia render algo interessante, não rende.

A solução que o filme propõe é utilizar isso como elemento para uma das sequências de sexo sem qualquer detalhe realmente sugestivo do lado antes oculto de um Christian Grey. Foi algo tão genérico, que é uma mera repetição do que já vimos ele fazer.

A tudo isso, adicione a reaparição de personagens esquecidos pela conveniência, a pobre utilização de outros, seja para dar uma espécie de encerramento às suas tramas (se é que realmente tiveram alguma trama em algum momento), ou para reforçar o deficiente cuidado através de diálogos pobres e sem credibilidade.

O que resta no final é um espetáculo para que os protagonistas brilhem sem qualquer tipo de recurso para isso. Até pelados eles são abordados de forma que o fator excitante seja mostrado apenas para escandalizar as pessoas, e não para sensualizar. E isso deveria ser a grande arma dessa trilogia.

 

 

No final, Johnson e Dornan são os menos culpados pelo fracasso dessa franquia. Eles fazem muito bem o que pediram para eles (principalmente Dakota), em papéis que pouco eles poderiam extrair.

Por fim, Cinquenta Tons de Liberdade é um triste fim para uma saga que começou mal, decaiu ainda mais no segundo filme, e terminou de forma péssima. Falha miseravelmente quando querem entrar no lado emocional da questão, e esbarra vergonhosamente quando tenta se transformar em um thriller por alguns minutos.

Acabou. Ainda bem que acabou.