Acabou! FINALMENTE ACABOU!

Cinquenta Tons de Liberdade encerra a série de filmes baseado na fanfic de uma fã da saga Crepúsculo, que é uma extraordinária perda de tempo e de bom senso. Não apenas para quem gosta de bons filmes, mas para pessoas de bem, que entendem que os três filmes são um completo desserviço para várias gerações.

Quero deixar bem claro que eu não esperava nada de bom desse filme. Aliás, não esperava em nenhum momento que ele fosse melhor do que os dois primeiros. Na verdade, fiquei surpreso em como o segundo filme conseguiu ser pior do que o primeiro, já que esta era uma missão realmente muito difícil. Logo, não era mais surpresa quando li as primeiras resenhas considerando o último filme da trilogia o pior de todos.

Porém, jamais poderia imaginar que este filme seria um dos piores filmes que eu assisti em toda a minha vida!

Falo sério!

Conceitualmente, Cinquenta Tons de Liberdade não deveria existir. Acredito que em alguns países ele seria considerado um crime federal, onde seus responsáveis deveriam ser presos e condenados a penas severas. Falo isso porque a história comete o crime de vender falsas ideias que simplesmente não se aplicam nem no mundo real, e muito menos no mundo de faz de conta que o próprio filme oferece.

Desde o primeiro filme, sabemos que Christian Grey é, de forma declarada, um sociopata. Foi abandonado pela mãe na infância porque ela tinha problemas com drogas, foi seduzido pela amiga da mãe com o modus operandi sadomasoquista e, na vida adulta, com dinheiro e poder ilimitados, se apaixona por uma mulher que ‘lembra’ sua mãe e, por isso, adora ver e fazer ela sofrer.

Qualquer mulher inteligente pula fora desse tipo de relação, pois ela está destinada ao fracasso. Afinal, em linhas gerais, Christian Grey sequer se ama. Se vitimiza. Característica típica de um sociopata. Que dirá amar outra pessoa?

Mas… não! Cinquenta Tons de Liberdade decide colocar na insossa Anastasia o símbolo de todas as mulheres que acreditam no “amor verdadeiro”, onde esse tal “amor verdadeiro” (de araque) é na verdade o “meu amor por ele vai curá-lo, você vai ver… vou transformar esse sociopata babaca e escroto em um homem melhor… por ele, vou passar por tudo…”.

De novo: se nem no mundo real isso funciona…

 

 

Sem falar que você precisa ter muito saco para aguentar dois filmes dentro de um só. Cinquenta Tons de Liberdade mostra a intensa e ativa pseudo vida sexual entre Christian e Anastasia, onde qualquer motivo é motivo para eles fazerem sexo (indo de “está muito calor” até “acabamos de ser perseguidos por um psicopata, mas estamos com muito tesão para procurar a polícia antes”) e, paralelo a isso, mostra um thriller que tenta (sem sucesso) ser tenso ao mostrar que o passado de Anna volta para atormentá-la, mas que, na verdade, não representa perigo real e imediato até a parte final do filme e, mesmo assim, só se torna perigoso mesmo para a amiga dela. E a motivação final do perseguidor no final das contas é a mesma de um bandido qualquer: dinheiro.

Quero dizer… sem reais dramas psicológicos, sem conflitos éticos e sequer fundo sexual nisso. A desculpa do “eu sempre quis transar com você e, por causa disso, estou te perseguindo” se transforma em um “quero o seu dinheiro porque agora você é rica”.

Aliás, outro desserviço social que Cinquenta Tons de Liberdade faz é associar as melhores lembranças de Anastasia (exibida em uma apresentação de Power Point cafona) com os veículos caros do seu agora marido. Só isso já mata qualquer tentativa de defesa ao filme quando insinuam que o longa quer mostrar o “empoderamento feminino” ou “a libertação de Anastasia como mulher forte”.

Nunca. Jamais. Em tempo algum.

Em três filmes, Anastasia se mostrou a mulher mais insossa, vazia e sem personalidade que eu vi na história do cinema! Ela é uma coitada que vive na ilusão que vai mudar a mente de um sociopata, que é tão babaca e escroto, que chega ao ponto de se sentir infeliz ao descobrir que vai ser pai e entende que a gravidez vai lhe tirar a chance de ter sexo o tempo todo com sua esposa, por entender que ela vai dar mais atenção para o filho do que para ele!

Na verdade, em linhas gerais, Christian Grey e Anastasia se merecem! No mundo real, os dois precisavam ir para o terapeuta. Mas como o mundo de ficção é perfeito para eles, um prende o outro emocionalmente, em uma relação de dependência e piedade mútuas, onde o sadomasoquismo é a representação das dores internas de ambos.

Ou seja, nada disso é amor. Nem de longe.

 

 

Mas o pior de Cinquenta Tons de Liberdade é o seu texto. Já era ruim nos livros. Nos filmes, onde tudo tem que ser contado em duas horas… é trágico. Conseguem empobrecer ainda mais os personagens, algo que, de novo, é bem difícil, porque já são personagens completamente sem graça.

E nem mesmo as cenas de sexo valem alguma coisa. Já não ajuda muito o fato de Dakota Johnson e Jamie Doman não terem química alguma em cena. Seus avós com 75 anos, pelados, são mais sensuais, ousados e pornográficos que Grey e Anna. No máximo você vai descobrir uma forma nova de usar o sorvete, que nem é tão desconhecida do grande público.

Por fim, deixo aqui o meu conselho de amigo, de inimigo, de colega chegado ou de um conhecido distante: nem perde seu tempo vendo esse grande balde de merda chamado Cinquenta Tons de Liberdade. É, com méritos e sobras, o pior filme entre os três. E consegue a façanha de ser um dos piores filmes que eu já vi na minha vida.