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Se existe uma coisa que canais abertos e pagos concordam é que a audiência publicada no dia seguinte aos eventos não mais refletem a realidade da audiência das séries de TV. É claro que exstem algumas exceções (os realitys pouco se beneficiam do poder dos DVRs), mas para a maior parte da programação, a audiência da primeira exibição e das reprises (para a costa oeste, nos programas com ajuste de grade pela classificação) não mostram mais a realidade da audiência dos programas roteirizados.

Hoje (19), um debate envolvendo executivos da CBS, Fox, FX e Showtime abordou o tempo, e cada um deles mostrou como a audiência está consumindo as suas produções pelas mais diferentes vias. E como o sistema de medição de audiência precisa mudar, com urgência.

David Poltrack, da CBS, chegou a comparar o formato atual de medição de audiência com um jornalista esportivo que informa o vencedor do terceiro quarto de um jogo. Afirmou que os canais fazem projeções de audiência, que só são concretizadas ou não quando todos os dados são coletados, considerando todos os formatos de exibição de série.

Julie Piepenkotter, do FX, informou que séries como Fargo e Sons of Anarchy seguem acumulando audiência dias depois das suas primeiras exibições, graças ao DVR (gravador digital de programação). O mesmo aconteceu com sua estreia mais recente – The Strain – que por cinco dias depois da primeira exibição, ainda estava acumulando audiência.

A executiva do FX afirmou que seu canal não vai mais comunicar a audiência de seus programas no dia seguinte de sua exibição, e acredita que uma janela de cinco dias é mais adequada para os hábitos atuais do telespectador.

Nos EUA, e a Nielsen quem coleta esses dados de audiência. E nos últimos meses, é visível que os eventos ao vivo (coberturas jornalísticas e, principalmente, eventos esportivos) são os programas que mais dão audiência imediata para a TV.

Mas o caso mais peculiar está no canal Showtime. O canal pago explora muito melhor o fator DVR junto aos seus anunciantes do que os demais, uma vez que a maior audiência de suas séries aparece depois da primeira exibição. Eles citaram o exemplo de Homeland, a série mais visa do canal: dos 7 milhões de espectadores por episódio, apenas 32% assistem a série na noite de domingo, na primeira exibição.

As novas plataformas (DVR, streaming, downloads, etc) não são engajam os fãs, mas contam com grande penetração de audiência. Isso explica por que a Showtime está completamente focada nos formatos multiplataforma. E no lado comercial, eles não tem do que reclamar.

É compreensível que os quatro grandes canais abertos dos EUA (ABC, CBS, Fox e NBC – já falei que a CW é café com leite, não insista) queiram muito mais a audiência tradicional. Porém, até esses canais estão olhando com outros olhos para a multiplataforma: na temporada 2013-2014, a demo 18-49 anos desses canais aumentou, em média, 40% com a audiência vinda dos DVRs, streamings e downloads.

Tudo bem, ainda tem muita gente vendo o episódio de The Big Bang Theory na primeira exibição. Mas tem muito mais pessoas  deixando para ver The Good Wife depois do Sunday Night Football na NBC.

Que a TV saiba se adaptar aos novos tempos.

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