O recente episódio envolvendo a atriz Scarlett Johansson, que acabou desistindo do papel de um mafioso transgênero em um filme por conta das diversas reclamações sobre a escolha de alguém que não se encaixa dentro do perfil do personagem continua. Agora é Bryan Cranston que se antecipou ao que pode vir a enfrentar por dar vida a um tetraplégico no filme The Upside.

O ator aproveitou a campanha promocional do filme para afirmar que “pedem aos atores que interpretem outras pessoas”, mas esclarece também que este é um debate que vale a pena acontecer. Por outro lado, ele defendeu que tem sim o direito a interpretar um personagem que não corresponde à sua realidade:

“Eu sou hétero, maduro e rico, sou um felizardo. Quer dizer que eu não posso interpretar alguém que não seja rico, ou um homossexual? Não sei. Onde se aplica essa restrição? Qual é o limite para isso?”

 

 

É claro que deve existir um limite na hora de escolher um ator. É verdade que os coletivos minoritários não estão suficientemente representados. Mas na maioria dos cassos, a decisão se baseia em contar com alguém no elenco que faça com que as pessoas se aproximem mais do cinema para ver o filme. No final das contas, os intérpretes precisam se transformar em outras pessoas, e querer limitar as opções das pessoas seria um erro gigantesco.

Vale lembrar que Jake Gyllenhaal e Dwayne Johnson já enfrentaram polêmicas semelhantes por interpretarem deficientes físicos, e que recentemente Darren Criss decidiu não mais interpretar personagens homossexuais para não se tornar alvo da reclamação das pessoas desse grupo.

A questão é que também não existe uma forma de dar maior visibilidade para atores com características específicas, e é raro ver Hollywood apostar grandes quantias de dinheiro para rostos desconhecidos. Filmes assim simplesmente não existem.

A polêmica está servida e, ao que tudo indica, não deve acabar tão cedo.

 

Via BBC