Bohemian Rhapsody e Green Book – O Guia são os filmes ‘feel good’ do Oscar 2019. Ou abrasileirando de forma grosseira, são os filmes “amigão de todo mundo”, ou o cinema simpático que muita gente gosta. E, talvez por isso, contam com chances reais de vencer na categoria Melhor Filme.

Isso não tira o mérito dos dois filmes, apesar de muita gente questionar o que Bohemian Rhapsody está fazendo na lista de indicados a Melhor Filme. E eu insisto que esse não é um filme ruim, mas que deixa a desejar em vários pontos, especialmente na falta de coragem em abordar a vida de Freddie Mercury de forma mais visceral.

Mesmo assim, é o filme do “fan service”… mais ou menos. Fã mesmo do Queen queria ver algo além da narrativa boazinha. Para a grande massa que gosta das músicas da banda, o filme alcança o seu objetivo, que é tocar o coração das pessoas que saíram do cinema empolgadas com a cena do Live Aid.

Já Green Book – O Guia é mais complicado de alcançar o ‘feel good’, mas consegue. E de forma bem competente.

Quando se mostra a história de um ítalo americano racista de marca maior trabalhando com um virtuose da música instrumental negro que não tem qualquer tipo de afinidade com as suas raízes, constatamos em como podemos aprender com as diferenças, desde que você se permita a receber esses aprendizados.

A forma bonita em que Tony Lip e Doc Shilrey acabam aprendendo um com o outro e formam uma amizade que derruba as barreiras do racismo é tão simpática, positiva e bem vinda, que o filme pode ganhar o Oscar 2019 de Melhor Filme também por isso. Ah, sim… e porque o filme é ótimo também.

 

 

Os dois filmes são ‘feel good’ porque você sai do cinema feliz com o que viu, e com vontade de abraçar um amigo por causa desse sentimento positivo. Não quer dizer que ambos são melhores que Roma, que é o filme que deveria vencer em um mundo ideal. Mas é uma sensação genuína e válida.

Precisamos também de filmes que cativam as pessoas disputando as principais premiações. Senão, o cinema só pode ser reconhecido com aqueles projetos para gente cabeçuda e por gente cabeçuda. E não precisa ser assim.