blade runner 2049

Blade Runner 2049 era um dos filmes mais esperados de 2017, e é item obrigatório de qualquer cinéfilo para essa temporada. Seja pela paixão pela obra original ou pela curiosidade mórbida desse filme, e as primeiras impressões do longa eram bem positivas. Algumas meio exageradas, como sempre.

O problema em se empolgar com um filme sem assistí-lo é a decepção que podemos ter quando assistimos ao mesmo. Logo, é sempre melhor não esperar nada para não se decepcionar. É difícil, mas vale a pena.

Até porque Blade Runner 2049 é um bom filme. Muitos podem afirmar que é um filme muito bom. Mas não é uma obra prima.

Os US$ 185 milhões gastos na produção se justificam do primeiro ao último minuto. O esforço da produção é tamanho que eu não me lembro qual foi o ultimo filme que teve tal cuidado nesse aspecto. A beleza plástica de Blade Runner 2049 é algo indiscutível.

A grande diversidade de cores dá a impressão que estamos mudando de filme de tempos em tempos, e isso é ótimo. Mas isso pode levar a alguns a pensar que Denis Villeneuve fez um trabalho excelente.

 

 

O novo filme parece estar limitado a tentar reproduzir os feitos alcançados por Ridley Scott no primeiro filme, mas ele peca em não ir além disso. Por outro lada, o filme não comete erros graves. Só é linear.

Falta uma maior personalidade ao novo filme, com uma grande parte dos elementos se mostrando como uma submissão ao original, mesmo com alguns eventos dando a entender que ele pode ir além do que se propõe a ser.

O mais curioso é que a própria temática do filme aborda a tal busca da identidade, algo muito apropriado com o momento atual e com o personagem interpretado por Ryan Gosling. Isso se une ao fato onde Blade Runner 2049 encontra com o primeiro filme, funcionando bem com continuação e levantando uma série de questionamentos interessantes, que justificam a sua existência.

 

 

O problema é que os comentários de Scott sobre fazer sequências da história cobram sentido, pois o filme carece de peso suficiente, fazendo pensar sobre a necessidade de indagar além das perguntas propostas.

Quem mais sofre com isso é o anedótico personagem de Jared Leto, que segue a linha de intensidade proposta pelo filme, mas mais uma vez sofre com pouco tempo em cena para se tornar crível. Já Harrison Ford até consegue recuperar o mítico Rick Deckard, mas também não chega a oferecer um trabalho espetacular.

A dúvida aqui é: até que ponto Villeneuve queria esses detalhes além da sua necessidade em fechar o arco de argumento central? A boa surpresa é que o espectador recebe os mistérios sobre a identidade dos personagens se desvendando rapidamente, sem tentar brincar muito com as diferenças entre humanos e replicantes.

 

 

A grande vitória de Blade Runner 2049 é que as suas duas horas e meia de filme passam voando, divertindo muito mais do que outros filmes que vimos em 2017. E consegue isso mesmo apresentando uma trama investigativa paralela.

Mas no final das contas, o que realmente importa é se esse filme te convence ou não. Se ele oferece um cenário aceitável para um possível terceiro filme. O lado negativo é que o filme sofre de identidade própria, que o roteiro não encontra até o final. E os vazios deixados pelo roteiro afetam os personagens. Tecnicamente, é um filme perfeito. Que fique bem claro.

 

 

Blade Runner 2049 vale a pena. Tanto no espetáculo visual como em ser a sequência do emblemático filme de Ridley Scott. Porém, no segundo aspecto, alguns temas não foram explorados, o que é uma pena. Como filme individual, mesmo não chegando na genialidade do predecessor, é um filme que se sai bem se compramos a história.

Me arrisco a dizer que é diversão garantida para quem gosta do gênero.