Atômica

Atômica é mais uma história que sai dos quadrinhos e vai para o cinema, e foi visto por muitos como uma espécie de “versão feminina” de John Wick. O motivo para tal afirmação é David Leitch, um dos diretores de John Wick.

Por outro lado, Charlize Theorn mostra desenvoltura nas cenas de ação, mas sendo muito mais ambiciosa, mas não a altura de suas aspirações. O resultado é um filme de espionagem que é pouco sexy coma adrenalina dos filmes de ação de maior destaque do cinema nos últimos meses.

Soa como um coquetel do que é mais aceitável, com as uma combinação que pode tornar algo delicioso em algo indigesto, em um filme que flerta com a possibilidade de mesclar demais, principalmente pela tendência de complicar tudo além do necessário, sem trazer nada de bom para amenizar.

 

 

A fotografia de Jonathan Sela funciona bem em Atômica. Por um lado, uma trama de espionagem que deixa bem claro o caminho que vai seguir o tempo todo, mas com uma complexidade de roteiro que não cai bem. Às vezes, menos é mais. E esse filme era uma dessas vezes.

A força dos quadrinhos parece não se aplicar ao filme. De fato, o longa funciona melhor quando ele deixa as complicações e recorre a lugares comuns, como a relação que se estabelece entre os personagens de Theron e Sofia Boutella, promovendo uma virada que não precisa mudar muita coisa, sendo um pequeno oásis dentro de um emaranhado narrativo que não conta com os ingredientes necessários para se tornar mais interessante.

Além disso, Leitch potencializa essa frieza própria da trama com linhas narrativas alternativas entre os personagens envolvidos, deixando ainda mais evidente o embaralhar narrativo que Atômica sofre. Pode até ser uma decisão premeditada para que o contraste com as cenas de ação seja ainda maior, e esse objetivo é alcançado. Mas o preço a pagar parece não valer muito a pena.

 

 

Centrando-se exclusivamente nessas sequências mais movimentadas, vemos que Leitch foi um dos autores de John Wick, e seria muito fácil deixar se levar pela estimulante cena de Theron lutar furiosamente, o que nos faz querer mais filmes de ação com mulheres como protagonista. OK, tudo é muito coreografado e cheio de truques de edição, mas é aqui que o filme realmente brilha.

Pena que é só aqui.

Também foi bom ver James McAvoy de novo em ação, mas pouco se nota dele diante do notório desequilíbrio do filme, que faz inclusive que as cenas de ação percam o brilho aos poucos.

 

 

Fato é que Atômica é um filme muito desequilibrado. Pode ser que, para alguns, isso não tem a menor importância diante do fato de Theron fazer bem o seu papel, enquanto que outros sequer conseguirão ver os pontos fortes do filme. É um longa que, de forma incomum, se alterna drasticamente em diferentes momentos.

No final das contas, Atômica é um filme com grandes cenas, mas muito distante de ser um grande filme. Sua combinação de cinema de espionagem e de ação ao menos apresenta ao mundo uma personagem com virtudes suficientes para uma eventual sequência, qeu precisa apostar em um tom diferente, para não voltar a cair em todos os erros do primeiro filme.