Eu amo cinema. E amo ir ao cinema. É uma experiência que não pode ser replicada em casa. Um vício de criança. Algo especial na minha vida. Porém, nos dias de hoje, isso perdeu o seu encanto. Talvez por conta da necessidade de buscar mais lucros.

Ridley Scott entende que a alta qualidade das séries de TV está sendo um problema para o cinema. Já eu penso que o cinema precisa se preocupar mais com a experiência do espectador. Dentro e fora da sala.

Um dos problemas atuais está nos primeiros 15 minutos, cheios de propagandas, antes do filme começar.

Na sessão de pré-estreia de Vingadores: Guerra Infinita (com horário marcado para meia-noite de quarta para quinta), além da projeção começar com pelo menos 30 minutos de atraso, ela teve mais 10 a 15 minutos de propaganda, o que fez com que todos deixassem o cinema naquela madrugada depois das 3h da manhã.

Algo inviável para quem precisa trabalhar no dia seguinte, ou para quem vive em grandes cidades, onde o perigo é sempre maior.

É normal que trailers sejam exibidos antes dos filmes, para despertar o interesse do público. Mas as propagandas comerciais podem irritar, pois lembram a experiência de ver TV em casa. O cinema não parece ser o melhor lugar para vender determinados produtos.

Logo, é importante lembrar para as redes de cinema que é fundamental cuidar bem do seu público e da experiência que ele vive dentro de um cinema. Quanto maior a qualidade dessa experiência, melhor será a rentabilidade.

Aliás, alimentos e comidas com preços exorbitantes não ajudam. É mais do que comum no Brasil os fãs de cinema recorrerem aos itens das Lojas Americanas (sempre tem uma nos shoppings) e até ao Habib’s (que vergonha…) para economizar uma grana em um balde de pipoca que pode custar absurdos R$ 27.

E isso, porque eu nem entro no tema da falta de liberdade de escolha. Todas as sessões de filmes dublados, ou poucos horários para quem quer ver o filme legendado e no idioma original.

Talvez os cinemas precisam passar por uma catarse para entender que não são mais a força dominante do entretenimento e que, por conta disso, não podem mais impor as regras do jogo, oferecendo produtos e serviços que não beneficiam o fã de cinema.

É fácil dizer que a Netflix está matando os cinemas. Nem uso mais o argumento do enorme acervo disponível por mês com o preço de um ingresso de cinema. Entendo que quem gosta de cinema vai ver o filme nas salas de qualquer maneira. Falo por experiência própria.

Mas do jeito que as salas de cinema tratam os seus clientes, aí fica fácil entender por que essa indústria hoje perde para os videogames e para a Netflix.

Se algum dia as estreias estiverem disponíveis diretamente na sala de casa, é adeus de vez para as salas de cinema.