É muito mais fácil fazer as pessoas chorar do que rir com algo que você faz. E no mundo do cinema, isso não é diferente. Apesar dos dramas receberem mais destaque, até meso pela carga de interpretação mais pesada (e o Oscar podia muito bem premiar categorias de drama e comédia em separado), as comédias precisam contar com o timing dos seus atores e um bom roteiro para arrancar risos das pessoas.

E eu falei risos. Nem estou entrando no tema das gargalhadas, por enquanto.

Parece que nos últimos tempos estamos com uma certa carência em receber boas comédias no cinema. O mais próximo de algo bem sucedido nesse aspecto está no cinema de ação, que estão recheados de piadas para deixar o ritmo frenético ainda mais interessante.

Porém, comédias, filmes de humor que são integralmente pensados em fazer graça e arrancar as tais gargalhadas do espectador… esses estão difíceis de aparecer. O momento não é dos melhores nesse aspecto, e nem mesmo as paródias estão escapando do azedume.

As paródias de filmes de sucesso são (ou eram) formas seguras de se obter bilheterias pela estratégia mais fácil e funcional de se fazer humor nos cinemas: pegar um filme de sucesso e fazer piada sobre ele, do começo ao fim.

Porém, nem mesmo a franquia Todo Mundo em Pânico, que até tem apelo popular considerável, conseguiu se salvar do cansaço. O que o quarto filme dessa franquia deixa a desejar, e que encontramos em Apertem os Cintos, O Piloto Sumiu?

Ah, sim, é fácil detectar: argumentos mais estruturados (mesmo que tais argumentos encontrem soluções absurdas), comediantes com timing muito melhor, uma narrativa que se desenvolve melhor, e outros aspectos técnicos que implicam no resultado.

Falta ao cinema de hoje paródias com um planejamento melhor. Pensar no humor como humor, e não apenas como um simples festival de jogar piadas na cara do espectador, utilizando um argumento que já existe, apenas para que o filme seja um caça níquel sem propósito algum.

E, se é para parodiar, que isso seja feito de forma pensada. Sem brincar com a inteligência da audiência. Caso contrário, os resultados realmente serão os piores possíveis, e o gênero vai caindo no esquecimento aos poucos.

De novo: já é difícil fazer alguém rir de alguma coisa. Que dirá gargalhar. E tem muito filme que não consegue nenhum dos dois por pura preguiça.