Nem tudo o que você viu no filme Bohemian Rhapsody (Bryan Singer, 2018) aconteceu daquele jeito. Faltou rigor para os fatos. Vários fatos. Mesmo com um Rami Malek possuído pelo ritmo Radio GaGa, boa parte das propostas narrativas (em favor do drama e da classificação etária) foram suavizadas e alteradas.

Nesse post, vamos revisar os pontos em que Bohemian Rhapsody alterou a história do Queen e do Freddie Mercury em favor do resultado final do filme.

 

1. A formação do Grupo

No filme, foi um momento pontual e quase bem humorado, mas na realidade, a formação do Queen foi bem mais complicada. Se no filme bastou Freddie Mercury abrir a boca e cantar para ser aceito na banda, na realidade, Mercury, grande fã da banda Smile e velho amigo de Tim Staffell (vocalista), passou um longo tempo enchendo o saco de Brian May e Roger Taylor para ser aceito em 1970.

 

2. A chegada de John Deacon

No filme, o baixista aparece tocando no primeiro show da banda em 1970, mas na realidade isso só aconteceu em 1971, depois da banda testar (e descartar) outros três músicos para o posto.

 

3. O tal “Ray Foster”

Ray Foster (Mike Myers), executivo da EMI Records, foi um dos pontos altos do filme. Porém, no mundo real, ele nunca existiu na íntegra: o personagem é baseado em Roy Featherstone, executivo da EMI e grand efã do Queen. Já o problema de colocar Bohemian Rhapsody nas rádios realmente existiu.

 

4. O encontro entre Mary e Freddie

Mais um ponto falho do filme foi em não abordar a intimidade de Freddie Mercury de forma intensa. No filme, Freddie e Mary se conheceram na mesma noite em que o cantor foi admitido na banda. Na realidade, Brian May estava saindo com Mary antes, e Freddie pediu permissão para May para sair com ela.

 

5. A relação entre Freddie e Jim Hutton

Nem Hutton trabalhou na mansão de Mercury, nem se conheceram em uma de suas festas. Jim Hutton era cabelereiro no hotel Savoy, e conheceu o vocalista do Queen em um clube noturno.

 

6. A vida privada de Freddie Mercury

Salvo pequenas e muito sutil referências sobre o abuso de drogas e vida noturna desenfreada, a vida privada de Mercury ficou de lado, em benefício da qualificação etária. O filme também não acerta ao tratar da sexualidade e vida amorosa de um Mercury, que teve uma faceta bissexual, foi infiel à Mary e jamais revelou a sua condição sexual para seus pais, apresentando Jim Hutton como o seu jardineiro.

 

7. A separação da Queen

O Queen nunca chegou a se separar. O filme introduz como desculpa um contrato de US$ 4 milhões para dois discos solo de Mercury. Outra desculpa era o esgotamento dos membros da banda com as gravações e as turnês, mas no final de 1983 a banda começou a trabalhar no álbum The Works.

 

8. O álbum solo

Em 1985, Freddie Mercury lançou o seu primeiro álbum solo, Mr. Bad Guy, mas este não foi o primeiro trabalho individual de um membro da Queen. Em 1981, Roger Taylor lançou o seu primeiro disco solo, Fun in Space, e em 1984 lançou o segundo, Stranger Frontier.

 

9. A reunião no Live Aid

A performance não foi um reencontro depois de muito tempo de separação, mas sim uma forma de promover o álbum The Works lançado em 1984. A banda estava em turnê um mês e meio antes do show de Wembley.

 

10. O diagnóstico de Freddie

O componente dramático onde Freddie Mercury descobre que contraiu o HIV antes do concerto do Live Aid funcionou. Mas na realidade, não sabemos exatamente quando esse evento ocorreu. Tudo indica que Mercury conheceu o seu diagnóstico entre os anos de 1986 e 1987.

 

11. O pós-Live Aid e outras inconsistências

Os fãs mais viscerais da Queen detectaram várias inconsistências históricas, como datas de criação alteradas de algumas das músicas mais emblemáticas, o que entrega (para muitos) uma experiência incompleta.

O final épico com o Live Aid de 1985 deixou de lado vários momentos da Queen e de Mercury, como a parceria com Montserrat Caballé, a saída de Deacon da banda, o diagnóstico de HIV de Jim Hutton, e Mary Austin vivendo até hoje na casa que Freddie Mercury a destinou em seu testamento após a sua morte.