Antes de começar, eu quero logo dizer para você que eu acho Aquaman um bom filme. De verdade. Consegue ser acima da média da DC, algo que, convenhamos, não é tão difícil assim diante de tantas decepções que passamos com as bombas que foram lançadas na nossa cara. Porém, logo de cara, eu digo: eu fui assistir ao filme com a maior boa vontade do mundo, e não vi esse filme foda que muita gente viu.

É apenas um bom filme da DC. Ponto. E vou explicar o meu ponto de vista nesse texto.

Estamos diante de mais um filme de origem do Universo Expandido da DC, que é mais desorganizado que a gaveta de meias do armário do seu quarto. O filme explica como o Aquaman se tornou o rei de Atlântida, e isso só aconteceu depois que ele ajudou a derrotar o Steppenwolf em Liga da Justiça. Até então, ele não era sequer incomodado, apesar de sua mãe ser perseguida o tempo todo, e do seu meio irmão saber de sua existência e que, a qualquer momento, ele poderia descer e comandar tudo.

Tá, deixa pra lá.

O plot principal traz como plano de fundo uma história familiar, que tem como moral da história o “você nasceu para ser rei, mas só se torna rei quando você enfrenta os seus medos”. É a síntese do herói no seu melhor estilo, e não podemos reclamar disso. A boa notícia é que esse Aquaman a gente põe fé: traz em si o senso de justiça porque recebeu de casa tais valores, mas mostra os seus traços humanos (e o próprio afirma que, de origem, ele é um humano) quando manifesta o sentimento de culpa pela morte de sua mãe. Isso faz com que ele se distancie do seu lado “peixe” (por assim dizer), mas sem abrir mão de ser o cara que faz o que é certo apenas porque é legal.

 

 

Mas o melhor de tudo é ver um Aquaman badass motherfucker. Um ogro fortão, sujo, meio burro, mas honesto e de bom coração. A repaginação do herói com um carismático Jason Momoa é o que justifica o ingresso por esse filme. E esse é o grande acerto dessa produção. É o que faz esse filme ser melhor que a média da DC.

Por outro lado, eu não consegui ver o resultado final de Aquaman como algo do tipo “meu Deus, que filme foda, chupa Marvel, aqui é DC, porra”.

Menos. Bem menos.

A produção é grandiosa, os efeitos visuais são bem feitos e tudo é esteticamente muito imersivo. Porém, o que manda mesmo para mim é a história que é contada. E eu não estou aqui dizendo que a história geral de Aquaman é ruim. Eu reforço que é um filme de origem de herói que cumpre bem com o seu papel, e conta a história do protagonista direitinho. Porém, a sua narrativa tende a ser arrastada e perder ritmo.

Não que eu queira ver um filme do Michael Bay, lotado de cenas de ação espetaculosa o tempo todo (e nem quero, longe de mim essa naba), muito menos que eu queira um filme da Marvel na DC (cheio de piadinhas, onde várias delas não tem razão de ser). Eu paguei para ver um filme da DC, e eu assisti a um filme da DC. Porém, apesar de acertar no sarcasmo do protagonista (de novo, Jason Momoa redefiniu o Aquaman de forma excelente), falta timing e ritmo em vários momentos.

O plot principal é tão dissecado, que ele acaba deixando o principal para os 45 do segundo tempo. Os eventos finais não ficam apressados, mas se tornam incompletos diante da magnitude do que aquele evento representa na vida de todos os envolvidos. Em alguns momentos, a impressão que fica é que tudo acontece fácil demais (tudo bem, o Aquaman é o rei dos oceanos… mesmo assim…), e o senso de urgência acaba se perdendo, pois rapidamente entendemos que “bom, é o Aquaman, logo ele vai resolver isso aí”.

Mas um dos problemas mais sérios desse filme está em uma pessoa: Amber Heard.

 

 

Enquanto Jason Momoa cumpriu de forma exemplar a sua missão de monopolizar as ações do filme com a carisma que é dele, a menina Heard simplesmente não conseguiu acompanhar o moço Momoa nesse aspecto, beirando ao caricata em alguns momentos. Os dois não contam com química nenhuma, e só piorou quando o roteiro do filme força o relacionamento amoroso entre os dois. Sério, era como se o Aquaman estivesse beijando a própria irmã.

E o pior é que Heard destoa de todo o resto. Parabéns para Nicole Kidman, que faz com que a gente se importe com o seu principal conflito no filme desde o começo, e para Willem Dafoe, que deixa a impressão de ter abraçado por inteiro a sua proposta dentro da trama. Ah, sim… e Patrick Wilson é outro que manda muito bem em cena.

 

 

No final das contas, o que dizer de Aquaman?

Que é um bom filme de origem. Que é melhor que a média entre os filmes da DCEU, mas que me agrada mais Mulher-Maravilha (mesmo com os efeitos visuais terríveis desse filme). Que Aquaman é bom, mas não é esse filme foda como estão pregando.

E que o melhor filme da DC em 2018 foi mesmo Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas.