american vandal

Tem séries que custamos a dar uma chance, pois queremos ver até onde ela vai. American Vandal (Netflix) é esse tipo de série. Mas quem seguir não deve se arrepender.

Um falso documentário sobre um serial vandal que pinta pênis em qualquer lugar. O plot “aluno de quinta série” resulta em uma das novas séries mais interessantes desse início de fall season.

American Vandal é uma resposta bem humorada às séries no estilo true crime, que mostram casos escabrosos e seu impacto na sociedade. Nesse aspecto, a Netflix migrou muito bem o tema para o inusitado.

Dylan Maxwell (Jimmy Tatro) é expulso do colégio Hannover, depois de ser acusado de pichar pênis em carros, muros e paredes do colégio. Dylan garante que é inocente, mas a sua fama de palhaço e baderneiro o coloca automaticamente como culpado.

 

 

Peter Maldonado (Tyler Alvarez) e Sam Ecklund (Griffin Gluck) tentam descobrir a verdade do caso, entrevistando testemunhas, colhendo provas visuais e se aprofundando nas relações pessoais entre os diferentes membros do instituto, suas consequências que pode ter o evento para o status quo da comunidade educacional.

Não julgue American Vandal pela premissa. Temos uma série simplesmente viciante. Ainda que tudo seja falso, a série prende a atenção do espectador ao longo de oito episódios, onde criamos nossas próprias teorias em busca de respostas, tal e como faríamos em uma série mais séria.

A série consegue estimular o sentido de dedução nos espectadores, principalmente aqueles da velha guarda, fãs de CSI. Ainda que escorregue em alguns momentos (um problema desse tipo de mockumentary), essa paródia segue excelente.

 

 

Dentro do seu tom satírico, fica a sensação que American Vandal é um fiel retrato da juventude atual e do universo estudantil. É claro que tem exageros: Dylan e seus amigos são os típicos baderneiros, tem a menina perfeita, o estudante CDF, o professor gay, a professora que tem mania de perseguição… mas todos estão em uma realidade plausível para a trama.

Não só isso. Qualquer um que trabalha com adolescentes em colégios pode reconhecer muito do que a série retrata. Sem perder o bom humor, American Vandal conhece bem como são os adolescentes, e como eles convivem entre eles, incluindo o uso das redes sociais.

Por exemplo, nos deparamos nas séries com os efeitos do Snapchat e do Instagram na vida dessas pessoas, além do uso efusivo dos smartphones, onde os jovens verificam tudo o que acontece o tempo todo entre eles.

E, enquanto o caso se desenvolve, os próprios narradores se mostram nada confiáveis: suas visões, por mais objetivas que possam parecer, tem os seus próprios prejuízos e saltos de fé para tentar encaixar as peças.

Independentemente da resolução do caso resultasse na culpa ou absolvição de Dylan, estamos diante de um “delito” magnificado, que gera consequências permanentes em todo o campus.

 

 

American Vandal inicia bem a temporada para a Netflix. Uma comédia que te prende do primeiro ao último minuto. Um inesperado sucesso, e a primeira revelação da temporada.

Não só entendeu o gênero true crime, mas também o aperfeiçoou. Algo bem difícil de se ver na TV da era da “a criatividade está morta e enterrada.”